19 de setembro de 2017

As Consequências dos Incêndios


“A informação que temos não é a que desejamos;
A informação que desejamos não é a que precisamos;
A informação que precisamos não está disponível”
                                                        John Peers

Na torrente de palavreado e na esquizofrenia televisiva - ambos muito elucidativos, produtivos e pedagógicos – estamos em crer que muito poucos portugueses se darão conta da verdadeira dimensão da tragédia e das terríveis consequências de toda esta débacle nacional.
                Pois a sua dimensão é nacional e já ultrapassou até as fronteiras estando longe de tal nos ser lisonjeiro.
                Vamos tentar sistematizar todo este âmbito de modo a torná-lo mais compreensível, pondo desde logo de parte as vítimas mortais e a destruição de casas de habitação, que julgo serem as únicas que são evidentes para todos, sem embargo de tal não ter engendrado novos comportamentos e atitudes …
                Em termos materiais os custos dos incêndios florestais têm uma dimensão dificilmente aferível.
                Começa com a perda de floresta, ela própria, e os custos directos e indirectos que comporta.
                Desde logo as exportações derivadas dos produtos lenhosos, que somam anualmente muitas centenas de milhões de euros.
                Existem estatísticas de tudo isto que podem ser consultadas, pelo que não irei perder tempo com esses números. Mas convém, ilustrar os sectores afectados: serrações; pasta de papel; madeira em bruto; lenha e resíduos; frutos secos; cortiça; resina; mobiliário, etc.
                E lembramos que o pequeno país que hoje somos, apenas tem um terço do território com apetência agrícola (em constante diminuição, devido a construção de vias de comunicação algo descoordenada; urbanização em terrenos que deviam ser preservados para a agricultura e abandono); outro terço é improdutivo e o restante terço é de grande aptidão silvícola. Ora é este que, fundamentalmente arde…
                A destruição de floresta e das árvores e arbustos mais ou menos isolados acarreta a destruição de muita vida animal e vegetal associada (selvagem e doméstica); prejudica a actividade cinegética, polui os rios, as albufeiras e a própria atmosfera!
                O desaparecimento do coberto vegetal além de demorar muitos anos a ser reposto, deixa a superfície do terreno escalavrada e completamente exposta à erosão e ao arrastamento da camada mais úbere, aquando das primeiras chuvas, sobretudo se forem intensas.
                Esta catástrofe ajuda à desertificação do interior, à perda de postos de trabalho e à pobreza e miséria forçada de muitas famílias.
                O combate aos incêndios causa acidentes, mortes, perda e desgaste de material; desperdício de milhares de horas de trabalho que melhor seriam aproveitadas noutras áreas e cansaço extremo induzido em milhares de pessoas envolvidas no combate a esta verdadeira praga.
                Para já não falar nos milhões de euros vertidos nos meios aéreos o que constitui um negócio chorudo, que bom seria fosse terminado.
                Além disso e parece que ninguém quer reparar nesse “pormenor”, o combate aos incêndios consome milhares de quilómetros cúbicos de água que muita falta fazem ao abastecimento das populações, ao regadio e ao abastecimento dos níveis freáticos, numa altura em que as reservas estão no seu ponto mais baixo!
                Os incêndios pela mácula que causam são ainda prejudiciais ao turismo e à imagem do país. Parece a cultura do feio…
                Mas se os níveis de prejuízos materiais são difíceis de contabilizar o que se pode dizer dos morais?
                De facto esta repetição absolutamente inacreditável e inverosímil é sintoma de uma sociedade doente que olha, a nível das autoridades e do comum do cidadão, com ar contemplativo o desfiar das desgraças.
                Ninguém reage!
                As causas dos incêndios, cuja maioria tem origem em 99%, em erro, descuido ou acção criminosa, todos perpetrados por humanos, não abonam nada a nós mesmos.
               Quando a complementar tudo isto, existir quem se aproveite da desgraça para fazer negócio, ainda piora as coisas.
                Por outro lado assistir ao “espectáculo” das chamas, quer ao vivo, quer nas pantalhas das televisões, causa uma dor psicológica, revolta e desespero em muitas mentes, mais susceptíveis a estes eventos.
                Percorrer a seguir os campos e ver toda a paisagem devastada, triste e negra representa uma dor de alma que deprime os mais fortes.
              E, qual “cereja em cima do bolo” o granel relativo à distribuição dos donativos – a que, em muitos casos, se cobra 23% de IVA, não há adjectivos para qualificar: infama - nos!
                E tudo isto dura há 40 anos e ninguém faz nada! Nada, nem na prevenção, na educação, na repressão, na legislação, etc.
                A única coisa que sabem fazer é despejar dinheiro na compra e aluguer de meios a fim de apetrecharem um serviço de Protecção Civil, que não tem escola, estrutura, carreira, organização e sobretudo cadeia hierárquica capaz, e que se tornou um feudo das organizações partidárias que dominam os governos!
                Outra tragédia!
                Pois senhores, quanto mais dinheiro verterem no combate aos incêndios, mais incêndios haverá!
                Os incêndios, como o terrorismo têm de ser considerados uma acção de guerra.
                E guerra é guerra.
                Se estes governantes se portam como totós (e fico por aí), há que correr com eles e pôr lá outros.
                E, como pelos vistos, o actual sistema político só páre (do verbo parir) totós destes, torna-se urgente mudar o sistema político.


João José Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador


Fonte: O Adamastor

18 de setembro de 2017

A pedra dura que defendeu Portugal: o castelo de Torres Novas

A imagem pode conter: céu, árvore, casa, atividades ao ar livre e natureza


Fundada por gregos na palavra de uns e por celtas na de outros, as origens de Torres Novas perderam-se nos séculos. A Hélade, sua conquistadora ou fundadora, chamou-lhe Neupergama; mais tarde, com a vinda de Roma, a cidade passou a conhecer-se como Nova Augusta. As invasões bárbaras e a queda do império do Ocidente causaram, como por toda a parte, o definhamento das cidades, e Nova Augusta, agora "Turris", não foiexcepção no processo. Não é de crer que fosse localidade muito grande quando Afonso Henriques, rei dos portugueses, a tomou dos mouros durante a sua imparável marcha para sul. Os novos detentores do sítio chamaram-lhe Torres "Novas", de maneira a que o castelo se distinguisse de outro "Torres" - Torres "Vedras", ou Velhas - que Afonso conquistara perto de Lisboa. A evolução toponímica é marcada pela documentação régia de então: simples "Torres" em carta datada de 1159, a localidade apareceria já como "Torres Vedras" no testamento de Dom Afonso, vinte anos posterior.

Por ocasião das Guerras Fernandinas, Torres Novas foi sitiada por Henrique II de Castela. A hoste castelhana chegou vinda de Santarém, que conquistara a Portugal, para impor cerco a Torres Novas e forçá-la à capitulação. A história lembra a do castelo de Faria, e narra a captura do filho do Alcaide de Torres Novas, Gil Pais, que defenderia a vila. Henrique II terá exigido a rendição a troco da vida do moço, o que o pai, fiel ao Rei, recusou. O rapaz foi enforcado, e Torres Novas resistiu. Depois da guerra, Dom Fernando mandou reparar aquela e outras fortalezas, reerguendo-se a de Torres Novas com um total de onze torres.

A fortaleza sofreu fartos estragos ao longo dos séculos. Linha da frente com os mouros, sofreu deles repetidas contra-investidas e, dos portugueses, as consequentes reparações; saiu muito danificado do grande sismo de 1755, que o destruiu em parte. No século XIX, conheceu a fúria da França imperial e foi quartel-general de Massena. Na guerra civil, ainda, foi vitimada por grande destruição. Fiel a Dom Miguel, Rei Absoluto, Torres Novas foi conquistada pelo Duque de Saldanha e submetida a novo episódio de violências. Extremamente enfraquecida e muito diminuída, a fortaleza foi salva na década de 1940 pela Direcção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como parte da notável campanha de restauro patrimonial da instituição.

RPB

17 de setembro de 2017

Publicidade enganosa

Uma cadeia de supermercados alemã, para evitar o “uso de símbolos religiosos”, decidiu suprimir, na sua publicidade, as cruzes de duas cúpulas de uma igreja ortodoxa da paradisíaca ilha grega de Santorini. Em esclarecimento posterior, pelo seu porta-voz na Bélgica, a empresa, que comercializa iogurtes e outros produtos helénicos, afirmou: “Evitamos o uso de símbolos religiosos, porque não queremos excluir nenhuma crença religiosa. Somos uma empresa que respeita a diversidade, daí o design dessas embalagens”. Caso para dizer: pior a emenda do que o soneto.
As reacções, como era de supor, não se fizeram esperar, a começar pela declaração indignada de um arcebispo grego ortodoxo, que vive no Reino Unido e que exigiu a reposição das cruzes retiradas através de Photoshop: “Eles ofenderam todos os cristãos, não apenas os gregos, embora a igreja seja grega. Espero que muitos mais se manifestem contra esta estúpida decisão”. Escusado será dizer que, nas redes sociais, a empresa foi alvo dos mais mortíferos comentários porque, como é sabido, o ridículo mata.
Que me desculpe o reverendíssimo metropolita helénico, mas concordo com a dita cadeia de supermercados quando afirma que é seu princípio não usar “símbolos religiosos” na sua publicidade, embora também lamente a incoerência de utilizarem uma igreja ortodoxa no referido anúncio. Sem ofensa do princípio da liberdade criativa e de expressão que a todos assiste, há limites éticos a respeitar na publicidade: não é legítimo utilizar crianças, sem o consentimento expresso de seus pais ou tutores; não se deve expor a fotografia de um adulto, sem a sua expressa autorização; não são admissíveis imagens chocantes, ou indecentes; etc.
Também não se devem utilizar figuras públicas, ou seja, personagens cuja carga institucional ou simbólica deva ser respeitada. Com efeito, recorrer à figura do Sumo Pontífice para publicitar um sumo, como já aconteceu, é, pelo menos, muito deselegante. Também seria ofensivo usar uma imagem do Dalai Lama, com um braço ao léu, para promover um desodorizante; ou o nosso sorridente chefe de Estado, como publicidade de um qualquer dentífrico … Outra coisa, muito diferente, é que alguma personalidade pública – um atleta, um artista, etc. – aceite, gratuitamente ou não, promover publicitariamente alguma causa ou produto comercial.
É uma contradição usar uma fotografia de uma igreja ortodoxa e, ao mesmo tempo, afirmar que não se pretende fazer “uso de símbolos religiosos” pois, salvo melhor opinião, um templo cristão é isso mesmo, um símbolo religioso por excelência! Usar uma fotografia de duas cúpulas ortodoxas é recorrer à simbologia religiosa, mesmo que se retirem as respectivas cruzes, como é óbvio.
Mais caricato foi ainda dizer que não queriam “excluir nenhuma crença religiosa. Somos uma empresa que respeita a diversidade”. Não querer “excluir nenhuma crença” significa que, doravante, vão incluir referências a todas as religiões na publicidade que fizerem?! Por exemplo, no Natal, para além das tradicionais figuras judaico-cristãs, também vão representar no presépio o Buda, ao lado de Maomé?! E, para satisfação dos hindus, vão promover a sagrada a vaca tradicional?! Deverá o burro ostentar, por maliciosa hipótese, a honrosa representação dos ateus, cuja exclusão do presépio seria não só inconstitucional, por discriminatória, como contrária a um Natal política e comercialmente correcto, ou seja, verdadeiramente inclusivo e multicultural?!
Também tem o seu quê de ridícula a suposição de que um símbolo de uma religião é, necessariamente, ofensivo para as restantes. Se este abstruso princípio vingar, onde houver uma estátua de um rei, dever-se-ia erigir um monumento a um presidente da república; junto de um herói militar, plantar um Gandhi ou um Nelson Mandela; nas imediações de um busto de um maçon, levantar um altar a um santo católico; ao lado de um memorial a um literato, erigir um obelisco em honra de algum analfabeto, não seja que os iletrados se sintam insultados … Mas, será a estátua do marquês de Pombal um ultraje à república, por ter sido o dito um feroz defensor do regime monárquico?! Ou, tendo sido Sebastião José de Carvalho e Melo um déspota, a sua efígie insulta a democracia?! Será que a mesquita de Lisboa é ofensiva para os católicos e para todos os outros crentes não muçulmanos?! Por que razão o argumento só funciona em detrimento dos católicos, mas nunca a seu favor?! Será apenas um pretexto – mais um – para impedir a presença pública da Igreja e confiná-la às sacristias?
Não é preciso que as empresas sejam ecuménicas nas suas abordagens publicitárias: basta que sejam verdadeiras e respeitadoras da cultura nacional, em todos os seus valores, também religiosos. A supressão das cruzes das cúpulas da igreja ortodoxa, antes de ser uma ofensa religiosa, é uma falsificação histórica e, portanto, uma mentira que a todos os gregos insulta e engana, não apenas aos ortodoxos. Também os partidários de um regime totalitário, de triste memória, eram peritos em retirar, das fotografias oficiais, os camaradas que iam caindo em desgraça porque, como diziam, o passado era deles e era como eles queriam que fosse. Não é aceitável, em caso nenhum, essa manipulação da verdade, quer seja por razões políticas ou por conveniências publicitárias.
Do ponto de vista científico, a falsificação da história é uma desonestidade intelectual. Em termos comerciais, a manipulação fraudulenta das imagens reais até é passível de coima porque é, pelo menos, publicidade enganosa.
Fonte: Observador

16 de setembro de 2017

Roma não paga a traidores


Em 155 a.C., o Império Romano dominava já todo o território leste e sul da Península Ibérica. Nesse mesmo ano começa a chamada Guerra Lusitana.
Entre 155 e 150 a.C. os combates sucedem-se, quase sempre favoráveis aos lusitanos. Até que, neste último ano, os lusitanos sofrem um grande revés. Tal deve-se à promessa do governador romano, Galba, de oferecer terras aos lusitanos. Mas a promessa era uma cilada. Com os lusitanos concentrados em poucos lugares perto dos romanos, Galba promoveu uma chacina.
Após a matança de Galba, segue-se um período de relativa acalmia. Até que no ano 147 a.C., os lusitanos irrompem num novo ataque aos romanos. Nesta altura, o governador romano Vetílio propõe um novo acordo de paz. Mas contra esse acordo levanta-se Viriato, um sobrevivente da chacina de Galba, que, lembrando aos lusitanos a perfídia dos romanos, apela à resistência.
Viriato, aclamado como "rei" (Dux Lusitanorum), venceu o governador Vetílio. Os romanos reagiram, mas foram quase sempre vencidos em batalha.
Para Roma, a guerra estava a revelar-se um verdadeiro fracasso. Após vários desaires e uma pesada derrota em 140 a.C., os romanos propõem novamente a paz. Viriato firma o tratado e recebe o título de "amigo do povo romano" (amicus populi romani). No Senado Romano, porém, este tratado é visto como uma humilhação, e no ano seguinte, Roma rompe as tréguas e envia um novo governador para terminar a guerra.
O novo governador romano, Cipião, desencadeou uma ofensiva fulgurante, mas Viriato mantém a superioridade militar e força-o a pedir a paz. Envia três emissários para negociar com Cipião, mas este suborna-os, prometendo-lhes grandes recompensas caso matassem Viriato. E assim aconteceu. Enquanto dormia, Viriato foi assassinado à punhalada.
Os lusitanos, enfraquecidos, acabaram por ser derrotados pelos romanos. A morte de Viriato marcou o início da ocupação romana do ocidente da Península Ibérica.
Quanto aos traidores, estes refugiaram-se em Roma, reclamando o prémio prometido. No entanto, as autoridades romanas ordenaram a sua execução em praça pública, onde ficaram expostos com as inscrições: "Roma não paga a traidores".


Fonte: Veritatis

15 de setembro de 2017

Prémios Duque de Edimburgo e Infante D. Henrique realizam evento no Funchal

Fazer revolução pela educação


As ideias lançadas ontem nos discursos de abertura da 10.ª Conferência Regional EMAS (Europe, Mediterranean and Arab States), promovida pela Fundação Prémio Internacional Duque de Edimburgo e que, em Portugal, tem no Prémio Infante D. Henrique o parceiro, foram virados para os jovens, aqueles cujo carácter em tempos conturbados como os que vivemos é preciso moldar e fortalecer através da educação e, no caso, da educação informal.
Perante representantes de 18 países, falaram sobre os temas em discussão, mas também dos desafios que se colocam à juventude, por esta ordem: D. Duarte, Duque de Bragança, Miguel Horta Costa, presidente do júri do Prémio Infante D. Henrique, John May, secretário-geral da Fundação Prémio Internacional Duque de Edimburgo, Madalena Nunes, vereadora da Câmara Municipal do Funchal, Kirsty Hayes, embaixadora britânica em Portugal e, por fim, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira.
Num resumo do seu discurso, feito de improviso e, à semelhança dos restantes citados, feito em inglês, o governante disse aos jornalistas que o “prémio existe desde há 60 anos e é uma iniciativa muito importante em termos da educação informal”, frisando que embora saibamos hoje que “educação formal é necessária e essencial, mas há outra educação que é dada fora da escola, através de iniciativas como esta, que são muito importantes na formação dos valores, no sentido de responsabilidade e de cidadania para as novas gerações”.
Miguel Albuquerque acrescentou que, sobretudo, deve-se tem em conta “que através desta iniciativa, que tem tido a adesão de milhões e milhões de jovens em todo o mundo, eles sentem-se realizados naquilo que é a sua capacidade de auto-realização, de perseverança, de espírito de aventura, de iniciativa, de sentido de responsabilidade e de solidariedade”, exemplificou. E apontou o desafio: “Num mundo, hoje, onde os desafios de mudança, muitas vezes, são tão rápidos em que a própria educação formal não tem capacidade de resposta, esta educação informal é sempre importante, porque independentemente das mudanças, os valores fundamentais da cidadania, de ligação aos outros e de voluntariado, vão ser sempre melhores para termos uma sociedade melhor.”
“Fazer a revolução através da educação”
Das outras intervenções, destaque para os de John May, que lembrou que o programa por eles ministrado já chegou a mais de nove milhões de jovens em 140 países, ocorrendo agora quiçá num momento tão importante que é o deixar, à próximas gerações, o futuro do mundo. “Trabalhamos por todo o mundo para organizar a revolução na educação, porque nós, tal como tantos outros, reconhecemos que um qualquer jovem se terá de estar devidamente preparado para a vida adulta, então não é suficiente dar-lhe uma educação académica de alto nível. É essencial dar-lhes as capacidades, os comportamentos e as atitudes que precisam para ser adultos bem sucedidos. E a única forma de isso ser feito é estender o ensino para fora das salas de aula e para a comunidade”, explicou. Não é algo novo, lembrou, já que nos fundamentos da Fundação que dirige, estão os “Seis Declínios da Moderna Juventude”, ideias elaboradas por Kurt Hahn, educador alemão com forte influência na educação do Duque de Edimburgo, o Príncipe Filipe, marido da Rainha Isabel II. Também há quatro ‘antídotos’ (ver destaque) que facilmente são transportados para 2017, para “o desenvolvimento do carácter”, concluiu.
A Conferência, que se realiza pela segunda vez em Portugal (a primeira decorreu no Estoril), foi uma conquista da Madeira, que se candidatou à organização através de fundos comunitários. Continuará numa das salas do Casino Park Hotel até amanhã, 13 de Setembro.
.............
Os seis declínios e os quatro antídotos
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Declínio da aptidão devido aos métodos modernos de locomoção [movendo-se];
Declínio de Iniciativa e Empresa devido à doença generalizada da ‘espectatorite’;
Declínio da memória e da imaginação devido à confusa agitação da vida moderna;
Declínio da habilidade e cuidados devido à tradição enfraquecida do artesanato;
Declínio da autodisciplina devido à disponibilidade sempre presente de estimulantes e tranquilizantes;
E o pior de tudo, o Declínio da Compaixão devido à pressa indecorosa com que a vida moderna é conduzida, ou como William Temple chamou de ‘morte espiritual’.
... e os antídotos
Treino físico;
Expedições;
Projectos;

Resgate.

Fonte: DN

13 de setembro de 2017

O português que não quis ser Papa: o Cardeal de Alpedrinha

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Nascido Jorge Martins em Alpedrinha, terra das Beiras, era humilde filho do caseiro de uma quinta. Damião de Góis diz da família que seriam "gente muito baixa, popular e pobre", o que parece confirmar-se pelo destino que o rapaz, fugido da terra de origem, veio a conhecer em Santarém: foi guardador de porcos, trabalho decerto honrado, mas tão desprestigiado para um moço nascido em 1406 como nos nossos dias. Seja como for, a sorte de Jorge mudou ao ter maneira - que lhe chegou por via da Igreja, verdadeiro elevador social - de frequentar a universidade, que então se situava em Lisboa. Cumpriu lá a formação que se esperava de um homem da Igreja e foi capelão no Hospício de Santo Estói. Tornou-se reputadíssimo latinista, chegando a confessor de Dom Afonso V. O Rei enviou-o em missão a Paris, que Jorge cumpriu como diplomata e onde aproveitou para prosseguir os estudos.

Homem verdadeiramente notável, de inteligência brilhante e reconhecida, Jorge Martins tornou-se Dom Jorge da Costa ao ser elevado a Bispo de Évora, que foi por um ano após 1463. Foi depois Arcebispo de Lisboa até 1501 e, dali à sua morte, Arcebispo de Braga e, por isso, Primaz das Espanhas. Em 1476, Sisto IV fê-lo cardeal. Em 1483, contudo, Alpedrinha abandonou o Reino para lhe não mais regressar. Incompatibilizado com Dom João II, que sucedera a Dom Afonso V em 1481, o Cardeal Jorge da Costa mudou-se para Roma, de onde nunca deixaria de ir estendendo a sua influência. Ao governo de muito da Igreja portuguesa, que manteve de Roma, foi-lhe adicionado o de numerosas dioceses italianas. Ao longo da carreira, Alpedrinha, como a História o registou, foi Bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta, assim como Arcebispo de Braga e Lisboa. Em 1503, foi eleito Papa pelo Colégio dos Cardeais, mas recusou receber a Tiara papal. Fê-lo Júlio II que, diz-se, recusaria já Papa a vénia do cardeal português por entender que devia ter sido aquele a herdar os destinos da Igreja.

Vindo do nada para tornar-se um dos homens mais influentes da Igreja e da Europa do seu tempo, Dom Jorge da Costa morreu em 1508 aos 102 anos. Se a tivesse desejado, poderia ter sido o segundo filho de Portugal a sentar-se na cadeira de Pedro.

11 de setembro de 2017

Teresa de Calcutá e Diana de Gales, 20 anos depois

Foi no dia 5 de Setembro de 1997 que o mundo foi surpreendido com a morte da Madre Teresa de Calcutá, fundadora das Missionárias da Caridade e prémio Nobel da Paz, que a 26 de Agosto completara 87 anos. Alguns dias antes, mais precisamente no último dia do mês de Agosto desse ano, uma outra notícia chocante, no sentido mais literal e dramático do termo, causou consternação mundial: Diana Spencer, princesa de Gales pelo seu casamento com o herdeiro do trono britânico, morreu em Paris, vítima de um brutal acidente automobilístico.
Há quem diga que, para Deus, não há coincidências. A verdade é que nada faria suspeitar que aquelas duas pessoas tão diferentes, se iriam encontrar em vida e também na hora da morte. Com efeito, não obstante pertencerem a diferentes confissões cristãs, a princesa Diana tinha procurado na Madre Teresa algum apoio. Por sua vez, a santa dos mendigos de Calcutá morreu quando estava, precisamente, a preparar uma cerimónia religiosa em sufrágio da sua amiga Diana, falecida apenas uns dias antes. Não era de esperar esta amizade, mas a fama da benemérita religiosa católica já há muito tinha ultrapassado as fronteiras da sua Igreja, sendo mundialmente reconhecida e respeitada pela sua santidade. Também foi, como é da praxe em relação aos verdadeiros discípulos de Cristo, violentamente criticada, sobretudo pela sua denúncia dos excessos da sociedade consumista e pela sua corajosa defesa do direito à vida dos nascituros.
Diana Frances Spencer, também conhecida por Lady Di, e Agnes Gonxhe Bojaxhiu que, em religião, foi a Madre Teresa de Calcutá, estavam, em termos humanos, nos antípodas: Diana era jovem, elegante, bonita e princesa; Teresa era idosa, pequenina, e – que me desculpem os que, como eu, são devotos da santa – bastante feia. Enquanto Diana vivia entre reis e príncipes, morava em palácios reais, vestia lindamente e usava diademas e outras jóias magníficas, Teresa de Calcutá percorria os bairros de lata, entre os mendigos mais miseráveis, sempre vestida com o seu pobre sari branco debruado a azul, com um único adereço: um pequeno crucifixo ao ombro.
Paradoxo: aquela que tudo tinha para ser feliz, não o era; e, aquela que nada tinha do que muitos entendem indispensável para a felicidade, era felicíssima! Com efeito, a princesa, apesar de todo o glamour e esplendor da sua condição real, era uma pessoa profundamente infeliz, mas a pequenina religiosa, sem quaisquer bens, nem beleza que atraísse, irradiava uma alegria que a ninguém deixava indiferente.
No momento do acidente fatal, dadas também as circunstâncias trágicas em que o mesmo ocorreu – curiosamente, no parisiense túnel d’Alma! – foram inúmeras as manifestações de pesar pela morte da princesa de Gales. Com a morte de Teresa de Calcutá aconteceu outro tanto e, desde então, a sua popularidade só tem aumentado, graças também à sua beatificação em 2003, escassos seis anos depois da sua morte. Treze anos depois, em 2016, Agnes Bojaxhiu foi canonizada, depois de comprovado, científica e teologicamente, mais um milagre atribuído à sua intercessão.
Vinte anos volvidos sobre a tragédia que vitimou a princesa Diana e sobre a santa morte da Madre Teresa de Calcutá, talvez seja hora de fazer o balanço, certamente provisório, destas duas vidas tão diferentes que Deus, mais do que o calendário, juntou no seu derradeiro momento. Talvez seja chegada a altura de reconhecer que os nossos sonhos de poder, riqueza, fama e beleza mais não são do que pesadelos do egoísmo, porque incapazes de encher de felicidade o coração humano. Mas, quantas jovens, se lhes fosse dado escolher ser Diana de Gales ou Teresa de Calcutá, fariam sua esta última opção?! Quantos pais, até católicos, prefeririam uma filha missionária da caridade a uma filha princesa do Reino Unido?!
Talvez a infeliz vida e tristíssima morte de Diana de Gales tenha desmentido, de uma vez por todas, o disparatado conto da menina que, qual gata borralheira, casa com um príncipe e é muito feliz para sempre. Talvez seja chegado o momento de reconhecer, neste vigésimo aniversário da morte de Santa Teresa de Calcutá e da princesa Diana, que a verdadeira felicidade não está na beleza, nem na fama, nem na riqueza, nem na saúde, nem na juventude ou na elegância, mas em amar, mesmo quando se é pobre, velho, sem beleza física e, até, se vive entre os mais pobres dos pobres.
Também pode haver, e é urgente que haja, muitas princesas e rainhas santas, como a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Santa Joana, princesa, bem como ‘primeiras damas’, governantes e deputadas que sejam igualmente virtuosas. O importante não é ter, mas ser; não é brilhar, mas servir; não é procurar a própria felicidade, mas fazer felizes os outros porque, como Jesus Cristo ensinou há dois mil anos, há mais alegria em dar do que em receber (Act 20, 35).
Fonte: Observador

10 de setembro de 2017

SERTÃ – Partilhe este apelo e, se puder, ajude. Bombeiros necessitam de água, alimentação e pomada para queimaduras



A Sertã está a ser fustigado com um incêndio muito violento. Há mais de 24 horas centenas de bombeiros estão a combater as chamas pelo que, nesta altura, são já visíveis sinais evidentes de fadiga, uma situação que só é debelada, de alguma forma, com um mínimo reforço alimentar e de hidratação. Por isso, está a circular um apelo de auxílio aos operacionais que se encontram no terreno, nomeadamente para a entrega de água, sumos com adição de açúcar, bolos, bolachas, frutas, pomadas para queimaduras e feridas (ex. Biafine, Bepanthene (Plus), etc.
O apelo foi feito pelos bombeiros voluntários da Sertã através da Rádio Condestável.
No local estão 816 operacionais, apoiados por 262 veículos e 3 meios aéreos.

Fonte: Rádio Hertz

9 de setembro de 2017

Vós sois o sal da Terra



Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da Terra; e chama-lhe sal da Terra, porque quer que façam na Terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a Terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a Terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que eles dizem; ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.

Suposto pois que, ou o sal não salgue, ou a terra se não deixe salgar, que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: "E se o sal perder a sua força, com que outra coisa se há-de salgar? Para nenhuma coisa mais fica servindo senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens" (Mateus V, 13). Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos. Quem se atrevera a dizer tal coisa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.


Pe. António Vieira in «Sermão de Santo António aos peixes», 1654.


Fonte: Veritatis

8 de setembro de 2017

Visita de Cortesia dos Duques de Bragança ao Concelho de Vila Franca do Campo

Foto de Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.


O Senhor D. Duarte e sua mulher Senhora D. Isabel de Bragança, Duques de Bragança, foram recebidos pelo Sr. Presidente da Câmara, Dr. Ricardo Rodrigues, em visita de cortesia ao Concelho.

Na circunstância e nos Paços do Concelho o Senhor D. Duarte assinou o livro de honra e o Presidente da Câmara ofereceu uma bandeira do Espírito Santo, bordada pelas artesãs da Cooperativa Sra. da Paz desta Vila, bem como o livro "Vulcão Perfeito".

O casal teve ainda oportunidade de assistir à Missa solene na Matriz de Vila Franca do Campo, por ocasião das festas do Senhor Bom Jesus da Pedra.

Foto de Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.

Foto de Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.

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7 de setembro de 2017

Dom João V: a propaganda e a verdade



As paixões que suscitam e animam as revoluções, e que por estas são renovadas e fortalecidas, degeneram invariavelmente no ódio sem trégua ao regime a que vieram pôr fim, aos seus representantes e aos seus símbolos. O ódio do passado ainda há pouco terminado, conjugado com a necessidade de legitimar as novas circunstâncias alcançadas, motivam, e aparentemente justificam, a propaganda que desenha com as linhas mais disformes o inimigo caído, que pinta com os mais vivos contrastes a miséria do sistema destruído e o brilho da revolução, que sublinha a virtude dos inovadores atribuindo todo o género de obras escabrosas e inclinações grotescas aos vencidos. Como da calúnia, especialmente se exercida com militância, algo sempre fica, a historiografia absorve frequentemente a propaganda concebida com intuitos políticos, compondo uma versão canónica dos factos muito distante da verdade histórica. A França revolucionária empenhou-se em perpetuar uma memória obscura da França do Antigo Regime; e Luís XVI e Maria Antonieta foram coimados com infâmias bem merecedoras da guilhotina, se realmente lhes coubesse a sua culpa.

Os ventos de revolução que sopraram em Portugal em Vinte e em Trinta também foram pródigos em libelos acusatórios ao absolutismo e, com especial sanha, alvejaram D. João V. O rei frívolo, de piedade hipócrita, visitador de celibatárias nas suas celas, que delapidou o tesouro público, e a montanha de ouro escavada no Brasil, em fausto – é o retrato triunfante encomendado pela propaganda revolucionária. Uma vez mais, a propaganda substitui-se à história. Aquele retrato não poderia ser mais diferente do modelo. O estudo dos originais contemporâneos – primeiro labor do historiador – giza uma semelhança mais perfeita do homem e do rei.

Possuía uma energia infatigável, presidindo ininterruptamente, por muitas horas, a conselhos de estado. Numerosos são os relatos corroborando as renúncias do rei em prol do interesse nacional. Os testemunhos são unânimes em atestar a sua inteligência e sensatez. Muito culto, conhecia profundamente os idiomas Latino, Italiano, Francês e Espanhol. A sua política externa foi prudente, mas assertiva; preferiu manter a equidistância face às controvérsias europeias, salvando a paz no reino, adquirindo o prestígio que o alcandoraria a mediador entre beligerante europeus; mostrou muita energia, porém, sempre que foi necessário afirmar os direitos de Portugal. Foi uma época de brilho inigualável da nossa diplomacia. Os governos a quem Portugal exigia satisfações apressavam-se a dá-las; os Estados que se viam privados das relações diplomáticas com o reino afadigavam-se em buscar a reconciliação.

A fama de perdulário acompanha até este dia a memória de Dom João V. Mas não terá sido bem empregado o dinheiro com que se fez erguer o Aqueduto das Águas Livres? «Se Lisboa é grande, se é populosa – escreve Frei Cláudio da Conceição - «só a esta obra se deveu. Sem esta providência, Lisboa jamais passaria dos limites do bairro de Alfama…». O Convento de Mafra valeu a Portugal a admiração dos estrangeiros e é símbolo adequado da importância que o reino assumia nos assuntos da Europa ao tempo e do sentido de orgulho nacional de que o rei sempre foi garante. A Academia Real de História, à qual o Magnânimo devotou contínuo interesse, é uma das obras que realizou favorecendo as letras e as ciências. As bibliotecas de Mafra e de Coimbra são outras duas, que permanecem; e os diversos incentivos que fez a muitos estudos confirmam o cuidado do rei para com o ofício do saber.

A sorte das armas sorriu a Portugal no reinado de D. João V. Em 1716, atendeu à súplica do Papa Clemente XI e pôs a marinha portuguesa, que se ocupara em reorganizar e engrandecer, ao serviço da Cristandade, subjugando os corsários turcos na batalha de Matapão. Na Índia, sucumbem à força portuguesa sobre as ondas os reis de Canará e de Sunda. Lopo de Almeida arrasa, em 1717, a cidade de Porpatan e o Régulo de Cudale é derrotado por João de Saldanha, sendo conquistada Bicholim. O marquês de Castelo-Novo triunfa sobre Bonfulóes e recupera territórios do Estado de Goa que se julgariam irremediavelmente perdidos. Também na África foi este reinado venturoso na guerra. Em Angola, o príncipe de Conda rende-se a D. João Manuel de Noronha; Rafael Álvares da Silva vence em Moçambique o Princípe Changamira.

O reinado do Magnânimo corresponde a uma era verdadeiramente doirada do poder e do conceito de Portugal no estrangeiro. Nos assuntos internos, registou-se notável incremento da cultura, de que são vestígios as magníficas obras públicas; e o rei mereceu do povo o cognome que ilustra e preserva a memória da sua benignidade para com os pobres, que sempre beneficiaram da sua generosidade em todas as ocasiões de escassez e calamidade, e para com os artistas e intelectuais do reino, que no monarca encontraram um excepcional patrono e mecenas. A figura de D. João V procura ainda redenção junto dos nossos, para o que este texto pretende ser um modesto contributo. E outras muitas erratas teriam que ser apostas à história de Portugal como parte do esforço de reconstrução identidade nacional.

Hugo Dantas

6 de setembro de 2017

proTEJO APELA À PARTICIPAÇÃO NA 3ª MANIFESTAÇÃO CONTRA A POLUIÇÃO DO RIO TEJO E SEUS AFLUENTES


3ª MANIFESTAÇÃO CONTRA A POLUIÇÃO DO RIO TEJO E SEUS AFLUENTES
14 de Outubro de 2017

Em Lisboa à beira Tejo
Do Cais do Sodré até ao Terreiro do Paço

O rio Tejo e seus afluentes têm vindo a sofrer uma contínua e crescente vaga de poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas.

As águas que afluem de Espanha vêm já com um elevado grau de contaminação com origem nos fertilizantes utilizados na agricultura intensiva, na eutrofização gerada pela sua estagnação nas barragens da Estremadura, na descarga de águas residuais urbanas das vilas e cidades espanholas sem o adequado tratamento e na contaminação radiológica com origem na Central Nuclear de Almaraz.

A gravidade desta poluição das águas do rio Tejo acentua-se devido aos caudais cada vez mais reduzidos que afluem de Espanha, diminuindo a capacidade de depuração natural do rio Tejo.

A poluição, em território nacional, provém da agricultura, indústria, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através das redes sociais e da comunicação social.

Esta catastrófica situação do rio Tejo e seus afluentes tem graves implicações na qualidade das águas para as regas dos campos, para a pesca, para a saúde das pessoas e impede o aproveitamento do potencial da região ribeirinha para práticas de lazer, de turismo fluvial e desportos náuticos, respeitando a natureza e a saúde ambiental da bacia hidrográfica do Tejo.

Nunca o rio Tejo e seus afluentes registaram tão elevado grau de poluição, de abandono e falta de respeito, por parte de uma minoria que tudo destrói, perante a complacência das autoridades.

Não estão em causa, de modo nenhum, as atividades realizadas por empresas e outras organizações na bacia hidrográfica do Tejo, o que se saúda e deseja, porém tal deve ocorrer de acordo com as práticas adequadas à salvaguarda do bem comum que o rio Tejo e seus afluentes constituem para os seus ecossistemas aquáticos e para as populações ribeirinhas.

O protejo – Movimento pelo Tejo realizou, em 26 de setembro de 2015 e em 4 de março de 2017 duas manifestações contra a poluição no rio Tejo face ao significativo número de episódios de poluição que o rio Tejo vinha sofrendo, visíveis a olho nu e registados por diversos cidadãos que integram a rede de vigilância do rio Tejo deste movimento.

Em consequência dos protestos realizados constatou-se que o Ministério do Ambiente aumentou a sua ação no terreno através da intervenção da Inspeção-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) e em resultado disso registou-se de fato uma diminuição nas ocorrências de poluição ainda durante o ano de 2016.

Recentemente, o Ministério do Ambiente publicou o Relatório da Comissão de Acompanhamento Sobre Poluição no Rio Tejo e um Plano Anual de Ação Integrado de Fiscalização e Inspeção para a bacia do rio Tejo.

Após a manifestação de 4 de Março de 2017 constatou-se que a qualidade da água melhorou significativamente, mas desde junho passado a poluição visível no rio Tejo tem vindo novamente a aumentar constatando-se atualmente um aumento do número das ocorrências e um significativo nível de poluição cuja principal origem na zona de Vila Velha de Ródão foi reconhecida no referido Relatório da Comissão de Acompanhamento Sobre Poluição no Rio Tejo e que se documenta nos vídeos listados no final desta comunicação.

Apesar da ação meritória da definição de um Plano Anual de Ação Integrado de Fiscalização e Inspeção para a bacia do rio Tejo, o proTEJO considera que a ação das autoridades competentes tem fracassado quanto à contenção das práticas poluentes das empresas na bacia do Tejo, em especial na zona de Vila Velha de Ródão, entre as quais se evidencia a empresa Celtejo que tem uma licença de emissão de efluentes com cargas poluentes que consideramos além do aceitável para se prosseguir no objetivo de alcançar o bom estado ecológico das águas do Tejo, previsto no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, e que pressupomos que estará neste momento a contribuir para o significativo nível de poluição constatado quer na zona de Vila Velha de Ródão quer nos concelhos e povoações ribeirinhas situados a jusante no curso do Tejo até Lisboa.

Portanto, apelamos ao Senhor Ministro do Ambiente que intervenha no sentido de que sejam tomadas medidas para a contenção das descargas poluentes no rio Tejo, nomeadamente, para garantir que as emissões de efluentes da Celtejo para o rio Tejo estejam dentro de parâmetros que garantam o objetivo de alcançar o bom estado ecológico das suas massas de águas ao longo de todo o seu curso em território português, seja pela maior fiscalização, seja pela revisão ou suspensão das licenças de emissão de efluentes.

Assim, requeremos a atenção do Senhor Ministro do Ambiente para que os instrumentos de defesa do rio Tejo e seus afluentes que criou se traduzam em reais e rápidas melhorias do estado ecológico das águas da bacia do Tejo.

Assim, o proTEJO – Movimento pelo Tejo convida os cidadãos e as populações ribeirinhas a unirem-se e a participarem na 3ª MANIFESTAÇÃO CONTRA A POLUIÇÃO DO RIO TEJO E SEUS AFLUENTES, que se irá realizar dia 14 de Outubro de 2017 pelas 15 horas, em Lisboa à beira Tejo, com desfile desde a Praça Duque da Terceira no Caís do Sodré até ao Terreiro do Paço - Praça do Comércio.

O Tejo merece!

Fonte: proTEJO

5 de setembro de 2017

SS. AA. RR., Os Senhores Duques de Bragança estiveram em São Miguel



Pela altura do fim de semana passado, D. Duarte Pio de Bragança e D. Isabel de Bragança viajaram até à ilha açoriana e tiveram uma recepção calorosa e agitada durante os dias que por cá permaneceram. Os herdeiros do reino de Portugal foram incorporados e agraciados num grande programa social.
Deste modo, foram convidados para uma recepção à Casa Cabral de Mello, na Salga em Nordeste, visitaram a Sinagoga de Ponta Delgada e o Santuário da Esperança. Um dos seus jantares decorreu no Veleiro Vespúcio, que esteve atracado na cidade micaelense.
No domingo foram recebidos pelo presidente da Câmara da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, numa visita de cortesia ao concelho. D. Duarte, nos Paços do Concelho, assinou o livro de honra e foi oferecida uma bandeira do Espírito Santo, bordada pelas artesãs da Cooperativa Sra. da Paz, bem como o livro “Vulcão Perfeito”. O casal teve ainda oportunidade de assistir à missa solene na Matriz de Vila Franca do Campo, por ocasião das festas do Senhor Bom Jesus da Pedra.
Mas os eventos e recepções não ficaram por aqui… Foram a mais um almoço, organizado pelo Dr. Paulo Gusmão na Casa de São Domingos e ainda outro pelo Conde de Albuquerque no Palácio José do Canto, onde também visitaram o seu jardim emblemático.
Várias personalidades açorianas aproveitaram esta oportunidade para conviver com os Duques de Bragança, oferecendo livros, entre outras lembranças, sempre com cunho regional.

4 de setembro de 2017

Um reino de piratas portugueses no Oriente: Sundiva (1609-1616)

Foto de Nova Portugalidade.


A ilha de Sandwip (Sundiva em português) situa-se ao largo da costa leste do actual Bangladesh. Acode de quando em vez aos noticiários pelos desastres naturais que repetidamente a assolam - não há década em que ciclones e tornados ali não cobrem mortandades imensas, deixando-a devastada.

Contudo, pela sua localização privilegiada, quem a dominar pode exercer controlo sobre as rotas comerciais provenientes e destinadas às fozes do Bramaputra, do Ganges e do Meghna, rios que desaguam no Golfo de Bengala e são escoadouro das riquezas do norte da Índia, do planalto tibetano, do Nepal e da Birmânia. A sua posse assegurava a hegemonia comercial, pelo que quantos a possuíssem podiam reclamar pagamento de tributo aos ricos mercadores indianos, malaios e chineses envolvidos no comércio de longa distância ligando o Índico ao estreito de Malaca, Golfo do Sião e Mar da China Meridional. A ilha tem sido desde há milénios importante centro de pirataria e banditismo organizado, estando para a região como a Ilha de Tortuga foi durante os séculos XVII e XVIII para as Caraíbas, pelo que, ali, as potências que a dominaram ao longo da história procuraram manter fortes guarnições militares assistidas por meios navais.

Até 1609, Sundiva esteve sob a autoridade de Fateh Khan, representante local do Império Mogol que então dominava praticamente todo o subcontinente indiano. Fateh, afegão de nascimento, era um fervoroso sunita e fez inscrever no seu pavilhão de combate a divisa "Fateh Khan, pela graça de Alá senhor de Sundiva, derramador de sangue cristão e destruidor da nação portuguesa".

Não esperava tal dirigente tão cheio de si que o seu destino se cruzasse com o de um português obstinado e ambicioso, violento a extremos e sem grandes princípios chamado Sebastião Gonçalves Tibau (também grafado Tibao), o típico "português à solta" que então enxameava os mares e portos da Ásia. Supostamente nascido em S. António do Tojal, chegado à Índia como soldado numa das armadas, o jovem de dezanove anos de idade abandonou o seu posto, desertou e de pronto se dedicou ao comércio do sal, rumando a Sundiva para ali se abastecer do produto que então era muito reclamado pelo mercado indiano e do Arracão - região do extremo-ocidental da Birmânia, então um reino independente que há muito mantinha relações com os portugueses.

Familiarizado com as usanças da região, acercou-se do reinete de Bacala (Bakla, no Bangladesh), aliciando-o para um magno projecto de assalto e conquista de Sundiva a troco da partilha do saque. Tibau recrutou na região quatrocentos aventureiros portugueses e com o auxílio da flotilha de Bacala caiu sobre a frota de Fateh Khan, desembarcou na ilha e liquidou a totalidade da guarnição. Porém, na hora da vitória, não cumpriu o acordo com Bacala e reclamou para si a totalidade do espólio.

A notícia da tomada de Sundiva por aventureiros portugueses chegou a Goa. Sebastião dizia querer alargar a sua influência e tomar outras ilhas, mas envolveu-se numa intrincada embrulhada política e militar ao dar apoio a uma das facções em luta pelo trono de Arracão, precisamente aquela que se opunha ao Rei do Arracão que era aliado dos portugueses do Estado da Índia. O pretendente rebelde selou uma aliança com Tibau, oferecendo-lhe a irmã como mulher e estabeleceu-se em Sundiva. Ocorreu então uma misteriosa morte, a somar-se a tantas outras. O pretendente aliado de Tibau morreu envenenado. O facto de Tibau se ter apossado de toda a fortuna do seu aliado e cunhado pesa contra si na legítima pretensão de imaginar quem foi o autor da morte do príncipe arracanês. Seguidamente - ou antes, previsivelmente - Tibau fez as pazes com o Rei de Arracão e selaram uma aliança. O inimigo de véspera era agora um aliado.

Um aventureiro como Tibau não podia ser apoiado directamente por Portugal, mas as autoridades de Goa não o hostilizaram, posto que Tibau se mostrava um encarniçado inimigo dos holandeses e do comércio muçulmano sem cartaz (i.e. aquele sem autorização portuguesa). Entre 1609 e 1614, Sebastião exerceu um poder arbitrário, atraindo aventureiros, constituindo um exército que chegou a reunir mil portugueses, dois mil nativos, parque de artilharia, cavalaria e uma frota de oitenta embarcações. Passou a dedicar-se ao comércio de escravos, à pirataria, à captura e pedido de resgates, a raides e saque de cidades costeiras.

Deslumbrado pela eficácia do seu método, não se deu conta de que tanta habilidade e falta de palavra o estavam a empurrar para o isolamento. Em 1615, temendo que o Grão-Mogol se apossasse da costa do actual Bangladesh, Tibau propôs ao Rei do Arracão que ambas as forças - portuguesas de Sundiva e do Arracão - se apossassem da região da foz do Meghna. Contudo, no início da expedição, enquanto os exércitos de Arracão se internavam em território inimigo, Tibau, ao invés de os auxiliar como prometido, atacou a costa do Arracão, arrasando aldeias e fortes, acumulando grande espólio de templos e capturando centenas de arracaneses para, logo, os vender como escravos. Tamanha traição marcou a sua sorte.

Em 1616, o Rei de Arracão atacou Sundiva e tomou-a após dura refrega. Tibau conseguiu escapar e estabeleceu-se costa de Bengala onde, abandonado por todos. Em 1618, por intervenção do clero de Goa, Filipe II concedeu-lhe o hábito de Cristo, mas a honra não chegou ao seu destinatário. Tibau morrera um ano antes.

MCB

Fontes:
Benjamim Videira Pires, Taprobana e mais além: presenças de Portugal na Ásia. Macau: Instituto Cultural, 1995.
Maria Ana Marques Guedes, Interferência e integração dos portugueses na Birmânia: ca. 1580-1630. [Lisboa]: Fundação Oriente, 1994.
Saturnino Monteiro, Batalhas e combates da Marinha Portuguesa: 1604-1625, vol. V. Lisboa: Sá da Costa, 1994.


3 de setembro de 2017

O medo e a coragem

Faz sentido, aqui e agora, temer os assassinos que, em nome da sua religião, semeiam o terror por toda a Europa e não só.

Muito se tem falado recentemente do medo e da coragem. Barcelona, numa massiva reacção ao atentado em que morreram mais de uma dúzia de pessoas, entre as quais duas portuguesas, fez gala em dizer ao mundo que não tem medo. Entre nós, um membro do governo assumiu publicamente a sua homossexualidade e, como costuma acontecer nestes casos, logo surgiram vozes a enaltecer a sua coragem.
Eu tenho medo, graças a Deus. Não de que o céu me caia em cima da cabeça, como os irredutíveis gauleses, mas de ser morto ou ferido num atentado terrorista ou, pior ainda, que isso aconteça a pessoas da minha família, ou minhas amigas. Tenho medo pelas pessoas do meu país e de todos os países, pelos pobres e necessitados e pelos ricos e abastados, pelas crianças, pelos jovens, pelos adultos e pelos idosos.
Tenho medo do terrorismo islâmico, o único que verdadeiramente ameaça agora a Europa, por mais que os ingénuos do costume nos queiram prevenir contra o perigo da islamofobia. Talvez, no princípio do século passado, se devesse ter medo da carbonária; ou, nos anos 70 e 80, dos revolucionários do Baader Meinhof, dos guerrilheiros do IRA, dos separatistas da ETA, dos bombistas das FP-25 e dos comunistas das Brigadas Vermelhas. Na actualidade, nenhum desses grupos terroristas representa uma ameaça real para o nosso país, ou para o mundo. Mas faz sentido, aqui e agora, temer os assassinos que, em nome da sua religião, semeiam o terror por toda a Europa e não só. Se são, ou não, islâmicos, é problema deles e das respectivas autoridades religiosas, não meu.
O medo é como a dor: um sinal vital de um perigo real. As piores doenças não são as que causam um grande sofrimento, mas as que não se sentem, porque ninguém se tratará de uma doença que não sabe que tem. O medo é a reacção natural ante um perigo iminente: só os inconscientes o não têm. É bom ter medo. Ser valente não é sinónimo de não ter medo, mas saber reagir ao perigo de forma razoável, sem ser cobarde nem temerário.
Infelizmente, a presidente da câmara de Barcelona não teve medo e, por isso, não se precaveu contra a possibilidade de um atentado terrorista como o que já tinha ocorrido no sul de França. Se tivesse tido medo, talvez tivesse impedido a matança de mais de uma dúzia de seres humanos. A sua falta de medo foi muito útil para os terroristas, que tanto lucraram com a sua negligência, porventura passível de responsabilidade criminal.
Se em Espanha, pelos vistos, falta o medo, em Portugal temos excesso de coragem. Com efeito, uma destemida secretária de Estado, qual Joana d’Arc das causas fracturantes, veio a terreiro afirmar a sua homossexualidade. Logo inúmeras vozes saudaram o corajoso gesto, tanto mais meritório quanto inédito entre os nossos políticos, muito amigos destas causas, mas muito reservados quanto às suas preferências pessoais. Há quem ache uma hipocrisia que um deputado, ou ministro, não revele publicamente a sua tendência sexual, mas eu sou dos que defendem que uma tal descrição revela um louvável pudor, alguma decência e q.b. sentido de Estado.
Salva a liberdade de expressão de todas as pessoas, nem tudo pode ser feito, ou dito, por quem tem responsabilidades governativas. Era óbvio que um ministro que, em plena sessão parlamentar, fez um gesto grosseiro a um deputado, não tinha condições para continuar no desempenho das suas funções. Os secretários de Estado que aceitaram favores que comprometeram a sua isenção, agiram igualmente de forma eticamente inadequada às suas responsabilidades governativas. Também não é suposto que um membro do governo faça confidências públicas sobre a sua orientação sexual, seja ela qual for. É razoável exigir aos membros do governo o decoro e a dignidade próprias das funções que desempenham, também quando falam sobre a sua vida particular, até porque a transparência e escrutínio a que está obrigado, num regime democrático, um governante, não inclui segredos de alcova.
Sem pôr em causa a honorabilidade da pessoa em questão, a verdade é que é ridículo louvar a ‘coragem’ de uma tal declaração. Coragem de quê?! Será que, quem a fez, pôs em risco a sua carreira política?! É óbvio que não! Poderá, por esse motivo, perder o cargo?! De modo algum! Por ter dito o que disse, vai para a prisão?! Talvez na Tchetchénia, ou na Arábia Saudita, mas não neste país de brandos costumes, onde a comunicação social incensa quem recorre a estes meios para alcançar algum mediatismo. Onde está a ‘coragem’ de ser membro do governo, com todas as correspondentes mordomias, viver com uma amiga e gabar-se disso?!
Corajosas são as mulheres que, pressionadas para abortar, o não fazem. Corajosas são as que têm a generosidade de criar e educar uma família numerosa, à custa de todo o tipo de privações e incompreensões. Corajosas são as que acolhem como próprias as crianças que os pais enjeitaram. Corajosas são as que aceitam e cuidam de um filho deficiente. Corajosas são as que, abandonadas sem culpa pelo cônjuge, ou vice-versa, permanecem fiéis ao seu compromisso matrimonial. Corajosas são as que não desistem dos filhos toxicodependentes. Corajosas são as que, numa sociedade pagã e hedonista, não vivem segundo as suas egoísticas apetências, mais ou menos extravagantes, mas de acordo com as exigências altruístas da moral cristã. Corajosas são as que não abandonam os pais idosos num lar da terceira idade, porque deles cuidam até ao fim. Corajosas são as que não têm medo à morte, nem a cobardia da eutanásia. Corajosas são as que, como Santa Teresa de Calcutá e tantas outras santas mulheres cristãs, solteiras ou casadas, consagradas ou leigas, esquecendo-se de si próprias, amam e generosamente se entregam ao serviço dos outros. Apesar de tudo.
Fonte: Observador