19 de setembro de 2017

As Consequências dos Incêndios


“A informação que temos não é a que desejamos;
A informação que desejamos não é a que precisamos;
A informação que precisamos não está disponível”
                                                        John Peers

Na torrente de palavreado e na esquizofrenia televisiva - ambos muito elucidativos, produtivos e pedagógicos – estamos em crer que muito poucos portugueses se darão conta da verdadeira dimensão da tragédia e das terríveis consequências de toda esta débacle nacional.
                Pois a sua dimensão é nacional e já ultrapassou até as fronteiras estando longe de tal nos ser lisonjeiro.
                Vamos tentar sistematizar todo este âmbito de modo a torná-lo mais compreensível, pondo desde logo de parte as vítimas mortais e a destruição de casas de habitação, que julgo serem as únicas que são evidentes para todos, sem embargo de tal não ter engendrado novos comportamentos e atitudes …
                Em termos materiais os custos dos incêndios florestais têm uma dimensão dificilmente aferível.
                Começa com a perda de floresta, ela própria, e os custos directos e indirectos que comporta.
                Desde logo as exportações derivadas dos produtos lenhosos, que somam anualmente muitas centenas de milhões de euros.
                Existem estatísticas de tudo isto que podem ser consultadas, pelo que não irei perder tempo com esses números. Mas convém, ilustrar os sectores afectados: serrações; pasta de papel; madeira em bruto; lenha e resíduos; frutos secos; cortiça; resina; mobiliário, etc.
                E lembramos que o pequeno país que hoje somos, apenas tem um terço do território com apetência agrícola (em constante diminuição, devido a construção de vias de comunicação algo descoordenada; urbanização em terrenos que deviam ser preservados para a agricultura e abandono); outro terço é improdutivo e o restante terço é de grande aptidão silvícola. Ora é este que, fundamentalmente arde…
                A destruição de floresta e das árvores e arbustos mais ou menos isolados acarreta a destruição de muita vida animal e vegetal associada (selvagem e doméstica); prejudica a actividade cinegética, polui os rios, as albufeiras e a própria atmosfera!
                O desaparecimento do coberto vegetal além de demorar muitos anos a ser reposto, deixa a superfície do terreno escalavrada e completamente exposta à erosão e ao arrastamento da camada mais úbere, aquando das primeiras chuvas, sobretudo se forem intensas.
                Esta catástrofe ajuda à desertificação do interior, à perda de postos de trabalho e à pobreza e miséria forçada de muitas famílias.
                O combate aos incêndios causa acidentes, mortes, perda e desgaste de material; desperdício de milhares de horas de trabalho que melhor seriam aproveitadas noutras áreas e cansaço extremo induzido em milhares de pessoas envolvidas no combate a esta verdadeira praga.
                Para já não falar nos milhões de euros vertidos nos meios aéreos o que constitui um negócio chorudo, que bom seria fosse terminado.
                Além disso e parece que ninguém quer reparar nesse “pormenor”, o combate aos incêndios consome milhares de quilómetros cúbicos de água que muita falta fazem ao abastecimento das populações, ao regadio e ao abastecimento dos níveis freáticos, numa altura em que as reservas estão no seu ponto mais baixo!
                Os incêndios pela mácula que causam são ainda prejudiciais ao turismo e à imagem do país. Parece a cultura do feio…
                Mas se os níveis de prejuízos materiais são difíceis de contabilizar o que se pode dizer dos morais?
                De facto esta repetição absolutamente inacreditável e inverosímil é sintoma de uma sociedade doente que olha, a nível das autoridades e do comum do cidadão, com ar contemplativo o desfiar das desgraças.
                Ninguém reage!
                As causas dos incêndios, cuja maioria tem origem em 99%, em erro, descuido ou acção criminosa, todos perpetrados por humanos, não abonam nada a nós mesmos.
               Quando a complementar tudo isto, existir quem se aproveite da desgraça para fazer negócio, ainda piora as coisas.
                Por outro lado assistir ao “espectáculo” das chamas, quer ao vivo, quer nas pantalhas das televisões, causa uma dor psicológica, revolta e desespero em muitas mentes, mais susceptíveis a estes eventos.
                Percorrer a seguir os campos e ver toda a paisagem devastada, triste e negra representa uma dor de alma que deprime os mais fortes.
              E, qual “cereja em cima do bolo” o granel relativo à distribuição dos donativos – a que, em muitos casos, se cobra 23% de IVA, não há adjectivos para qualificar: infama - nos!
                E tudo isto dura há 40 anos e ninguém faz nada! Nada, nem na prevenção, na educação, na repressão, na legislação, etc.
                A única coisa que sabem fazer é despejar dinheiro na compra e aluguer de meios a fim de apetrecharem um serviço de Protecção Civil, que não tem escola, estrutura, carreira, organização e sobretudo cadeia hierárquica capaz, e que se tornou um feudo das organizações partidárias que dominam os governos!
                Outra tragédia!
                Pois senhores, quanto mais dinheiro verterem no combate aos incêndios, mais incêndios haverá!
                Os incêndios, como o terrorismo têm de ser considerados uma acção de guerra.
                E guerra é guerra.
                Se estes governantes se portam como totós (e fico por aí), há que correr com eles e pôr lá outros.
                E, como pelos vistos, o actual sistema político só páre (do verbo parir) totós destes, torna-se urgente mudar o sistema político.


João José Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador


Fonte: O Adamastor

18 de setembro de 2017

A pedra dura que defendeu Portugal: o castelo de Torres Novas

A imagem pode conter: céu, árvore, casa, atividades ao ar livre e natureza


Fundada por gregos na palavra de uns e por celtas na de outros, as origens de Torres Novas perderam-se nos séculos. A Hélade, sua conquistadora ou fundadora, chamou-lhe Neupergama; mais tarde, com a vinda de Roma, a cidade passou a conhecer-se como Nova Augusta. As invasões bárbaras e a queda do império do Ocidente causaram, como por toda a parte, o definhamento das cidades, e Nova Augusta, agora "Turris", não foiexcepção no processo. Não é de crer que fosse localidade muito grande quando Afonso Henriques, rei dos portugueses, a tomou dos mouros durante a sua imparável marcha para sul. Os novos detentores do sítio chamaram-lhe Torres "Novas", de maneira a que o castelo se distinguisse de outro "Torres" - Torres "Vedras", ou Velhas - que Afonso conquistara perto de Lisboa. A evolução toponímica é marcada pela documentação régia de então: simples "Torres" em carta datada de 1159, a localidade apareceria já como "Torres Vedras" no testamento de Dom Afonso, vinte anos posterior.

Por ocasião das Guerras Fernandinas, Torres Novas foi sitiada por Henrique II de Castela. A hoste castelhana chegou vinda de Santarém, que conquistara a Portugal, para impor cerco a Torres Novas e forçá-la à capitulação. A história lembra a do castelo de Faria, e narra a captura do filho do Alcaide de Torres Novas, Gil Pais, que defenderia a vila. Henrique II terá exigido a rendição a troco da vida do moço, o que o pai, fiel ao Rei, recusou. O rapaz foi enforcado, e Torres Novas resistiu. Depois da guerra, Dom Fernando mandou reparar aquela e outras fortalezas, reerguendo-se a de Torres Novas com um total de onze torres.

A fortaleza sofreu fartos estragos ao longo dos séculos. Linha da frente com os mouros, sofreu deles repetidas contra-investidas e, dos portugueses, as consequentes reparações; saiu muito danificado do grande sismo de 1755, que o destruiu em parte. No século XIX, conheceu a fúria da França imperial e foi quartel-general de Massena. Na guerra civil, ainda, foi vitimada por grande destruição. Fiel a Dom Miguel, Rei Absoluto, Torres Novas foi conquistada pelo Duque de Saldanha e submetida a novo episódio de violências. Extremamente enfraquecida e muito diminuída, a fortaleza foi salva na década de 1940 pela Direcção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como parte da notável campanha de restauro patrimonial da instituição.

RPB

17 de setembro de 2017

Publicidade enganosa

Uma cadeia de supermercados alemã, para evitar o “uso de símbolos religiosos”, decidiu suprimir, na sua publicidade, as cruzes de duas cúpulas de uma igreja ortodoxa da paradisíaca ilha grega de Santorini. Em esclarecimento posterior, pelo seu porta-voz na Bélgica, a empresa, que comercializa iogurtes e outros produtos helénicos, afirmou: “Evitamos o uso de símbolos religiosos, porque não queremos excluir nenhuma crença religiosa. Somos uma empresa que respeita a diversidade, daí o design dessas embalagens”. Caso para dizer: pior a emenda do que o soneto.
As reacções, como era de supor, não se fizeram esperar, a começar pela declaração indignada de um arcebispo grego ortodoxo, que vive no Reino Unido e que exigiu a reposição das cruzes retiradas através de Photoshop: “Eles ofenderam todos os cristãos, não apenas os gregos, embora a igreja seja grega. Espero que muitos mais se manifestem contra esta estúpida decisão”. Escusado será dizer que, nas redes sociais, a empresa foi alvo dos mais mortíferos comentários porque, como é sabido, o ridículo mata.
Que me desculpe o reverendíssimo metropolita helénico, mas concordo com a dita cadeia de supermercados quando afirma que é seu princípio não usar “símbolos religiosos” na sua publicidade, embora também lamente a incoerência de utilizarem uma igreja ortodoxa no referido anúncio. Sem ofensa do princípio da liberdade criativa e de expressão que a todos assiste, há limites éticos a respeitar na publicidade: não é legítimo utilizar crianças, sem o consentimento expresso de seus pais ou tutores; não se deve expor a fotografia de um adulto, sem a sua expressa autorização; não são admissíveis imagens chocantes, ou indecentes; etc.
Também não se devem utilizar figuras públicas, ou seja, personagens cuja carga institucional ou simbólica deva ser respeitada. Com efeito, recorrer à figura do Sumo Pontífice para publicitar um sumo, como já aconteceu, é, pelo menos, muito deselegante. Também seria ofensivo usar uma imagem do Dalai Lama, com um braço ao léu, para promover um desodorizante; ou o nosso sorridente chefe de Estado, como publicidade de um qualquer dentífrico … Outra coisa, muito diferente, é que alguma personalidade pública – um atleta, um artista, etc. – aceite, gratuitamente ou não, promover publicitariamente alguma causa ou produto comercial.
É uma contradição usar uma fotografia de uma igreja ortodoxa e, ao mesmo tempo, afirmar que não se pretende fazer “uso de símbolos religiosos” pois, salvo melhor opinião, um templo cristão é isso mesmo, um símbolo religioso por excelência! Usar uma fotografia de duas cúpulas ortodoxas é recorrer à simbologia religiosa, mesmo que se retirem as respectivas cruzes, como é óbvio.
Mais caricato foi ainda dizer que não queriam “excluir nenhuma crença religiosa. Somos uma empresa que respeita a diversidade”. Não querer “excluir nenhuma crença” significa que, doravante, vão incluir referências a todas as religiões na publicidade que fizerem?! Por exemplo, no Natal, para além das tradicionais figuras judaico-cristãs, também vão representar no presépio o Buda, ao lado de Maomé?! E, para satisfação dos hindus, vão promover a sagrada a vaca tradicional?! Deverá o burro ostentar, por maliciosa hipótese, a honrosa representação dos ateus, cuja exclusão do presépio seria não só inconstitucional, por discriminatória, como contrária a um Natal política e comercialmente correcto, ou seja, verdadeiramente inclusivo e multicultural?!
Também tem o seu quê de ridícula a suposição de que um símbolo de uma religião é, necessariamente, ofensivo para as restantes. Se este abstruso princípio vingar, onde houver uma estátua de um rei, dever-se-ia erigir um monumento a um presidente da república; junto de um herói militar, plantar um Gandhi ou um Nelson Mandela; nas imediações de um busto de um maçon, levantar um altar a um santo católico; ao lado de um memorial a um literato, erigir um obelisco em honra de algum analfabeto, não seja que os iletrados se sintam insultados … Mas, será a estátua do marquês de Pombal um ultraje à república, por ter sido o dito um feroz defensor do regime monárquico?! Ou, tendo sido Sebastião José de Carvalho e Melo um déspota, a sua efígie insulta a democracia?! Será que a mesquita de Lisboa é ofensiva para os católicos e para todos os outros crentes não muçulmanos?! Por que razão o argumento só funciona em detrimento dos católicos, mas nunca a seu favor?! Será apenas um pretexto – mais um – para impedir a presença pública da Igreja e confiná-la às sacristias?
Não é preciso que as empresas sejam ecuménicas nas suas abordagens publicitárias: basta que sejam verdadeiras e respeitadoras da cultura nacional, em todos os seus valores, também religiosos. A supressão das cruzes das cúpulas da igreja ortodoxa, antes de ser uma ofensa religiosa, é uma falsificação histórica e, portanto, uma mentira que a todos os gregos insulta e engana, não apenas aos ortodoxos. Também os partidários de um regime totalitário, de triste memória, eram peritos em retirar, das fotografias oficiais, os camaradas que iam caindo em desgraça porque, como diziam, o passado era deles e era como eles queriam que fosse. Não é aceitável, em caso nenhum, essa manipulação da verdade, quer seja por razões políticas ou por conveniências publicitárias.
Do ponto de vista científico, a falsificação da história é uma desonestidade intelectual. Em termos comerciais, a manipulação fraudulenta das imagens reais até é passível de coima porque é, pelo menos, publicidade enganosa.
Fonte: Observador

16 de setembro de 2017

Roma não paga a traidores


Em 155 a.C., o Império Romano dominava já todo o território leste e sul da Península Ibérica. Nesse mesmo ano começa a chamada Guerra Lusitana.
Entre 155 e 150 a.C. os combates sucedem-se, quase sempre favoráveis aos lusitanos. Até que, neste último ano, os lusitanos sofrem um grande revés. Tal deve-se à promessa do governador romano, Galba, de oferecer terras aos lusitanos. Mas a promessa era uma cilada. Com os lusitanos concentrados em poucos lugares perto dos romanos, Galba promoveu uma chacina.
Após a matança de Galba, segue-se um período de relativa acalmia. Até que no ano 147 a.C., os lusitanos irrompem num novo ataque aos romanos. Nesta altura, o governador romano Vetílio propõe um novo acordo de paz. Mas contra esse acordo levanta-se Viriato, um sobrevivente da chacina de Galba, que, lembrando aos lusitanos a perfídia dos romanos, apela à resistência.
Viriato, aclamado como "rei" (Dux Lusitanorum), venceu o governador Vetílio. Os romanos reagiram, mas foram quase sempre vencidos em batalha.
Para Roma, a guerra estava a revelar-se um verdadeiro fracasso. Após vários desaires e uma pesada derrota em 140 a.C., os romanos propõem novamente a paz. Viriato firma o tratado e recebe o título de "amigo do povo romano" (amicus populi romani). No Senado Romano, porém, este tratado é visto como uma humilhação, e no ano seguinte, Roma rompe as tréguas e envia um novo governador para terminar a guerra.
O novo governador romano, Cipião, desencadeou uma ofensiva fulgurante, mas Viriato mantém a superioridade militar e força-o a pedir a paz. Envia três emissários para negociar com Cipião, mas este suborna-os, prometendo-lhes grandes recompensas caso matassem Viriato. E assim aconteceu. Enquanto dormia, Viriato foi assassinado à punhalada.
Os lusitanos, enfraquecidos, acabaram por ser derrotados pelos romanos. A morte de Viriato marcou o início da ocupação romana do ocidente da Península Ibérica.
Quanto aos traidores, estes refugiaram-se em Roma, reclamando o prémio prometido. No entanto, as autoridades romanas ordenaram a sua execução em praça pública, onde ficaram expostos com as inscrições: "Roma não paga a traidores".


Fonte: Veritatis

15 de setembro de 2017

Prémios Duque de Edimburgo e Infante D. Henrique realizam evento no Funchal

Fazer revolução pela educação


As ideias lançadas ontem nos discursos de abertura da 10.ª Conferência Regional EMAS (Europe, Mediterranean and Arab States), promovida pela Fundação Prémio Internacional Duque de Edimburgo e que, em Portugal, tem no Prémio Infante D. Henrique o parceiro, foram virados para os jovens, aqueles cujo carácter em tempos conturbados como os que vivemos é preciso moldar e fortalecer através da educação e, no caso, da educação informal.
Perante representantes de 18 países, falaram sobre os temas em discussão, mas também dos desafios que se colocam à juventude, por esta ordem: D. Duarte, Duque de Bragança, Miguel Horta Costa, presidente do júri do Prémio Infante D. Henrique, John May, secretário-geral da Fundação Prémio Internacional Duque de Edimburgo, Madalena Nunes, vereadora da Câmara Municipal do Funchal, Kirsty Hayes, embaixadora britânica em Portugal e, por fim, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira.
Num resumo do seu discurso, feito de improviso e, à semelhança dos restantes citados, feito em inglês, o governante disse aos jornalistas que o “prémio existe desde há 60 anos e é uma iniciativa muito importante em termos da educação informal”, frisando que embora saibamos hoje que “educação formal é necessária e essencial, mas há outra educação que é dada fora da escola, através de iniciativas como esta, que são muito importantes na formação dos valores, no sentido de responsabilidade e de cidadania para as novas gerações”.
Miguel Albuquerque acrescentou que, sobretudo, deve-se tem em conta “que através desta iniciativa, que tem tido a adesão de milhões e milhões de jovens em todo o mundo, eles sentem-se realizados naquilo que é a sua capacidade de auto-realização, de perseverança, de espírito de aventura, de iniciativa, de sentido de responsabilidade e de solidariedade”, exemplificou. E apontou o desafio: “Num mundo, hoje, onde os desafios de mudança, muitas vezes, são tão rápidos em que a própria educação formal não tem capacidade de resposta, esta educação informal é sempre importante, porque independentemente das mudanças, os valores fundamentais da cidadania, de ligação aos outros e de voluntariado, vão ser sempre melhores para termos uma sociedade melhor.”
“Fazer a revolução através da educação”
Das outras intervenções, destaque para os de John May, que lembrou que o programa por eles ministrado já chegou a mais de nove milhões de jovens em 140 países, ocorrendo agora quiçá num momento tão importante que é o deixar, à próximas gerações, o futuro do mundo. “Trabalhamos por todo o mundo para organizar a revolução na educação, porque nós, tal como tantos outros, reconhecemos que um qualquer jovem se terá de estar devidamente preparado para a vida adulta, então não é suficiente dar-lhe uma educação académica de alto nível. É essencial dar-lhes as capacidades, os comportamentos e as atitudes que precisam para ser adultos bem sucedidos. E a única forma de isso ser feito é estender o ensino para fora das salas de aula e para a comunidade”, explicou. Não é algo novo, lembrou, já que nos fundamentos da Fundação que dirige, estão os “Seis Declínios da Moderna Juventude”, ideias elaboradas por Kurt Hahn, educador alemão com forte influência na educação do Duque de Edimburgo, o Príncipe Filipe, marido da Rainha Isabel II. Também há quatro ‘antídotos’ (ver destaque) que facilmente são transportados para 2017, para “o desenvolvimento do carácter”, concluiu.
A Conferência, que se realiza pela segunda vez em Portugal (a primeira decorreu no Estoril), foi uma conquista da Madeira, que se candidatou à organização através de fundos comunitários. Continuará numa das salas do Casino Park Hotel até amanhã, 13 de Setembro.
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Os seis declínios e os quatro antídotos
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Declínio da aptidão devido aos métodos modernos de locomoção [movendo-se];
Declínio de Iniciativa e Empresa devido à doença generalizada da ‘espectatorite’;
Declínio da memória e da imaginação devido à confusa agitação da vida moderna;
Declínio da habilidade e cuidados devido à tradição enfraquecida do artesanato;
Declínio da autodisciplina devido à disponibilidade sempre presente de estimulantes e tranquilizantes;
E o pior de tudo, o Declínio da Compaixão devido à pressa indecorosa com que a vida moderna é conduzida, ou como William Temple chamou de ‘morte espiritual’.
... e os antídotos
Treino físico;
Expedições;
Projectos;

Resgate.

Fonte: DN

13 de setembro de 2017

O português que não quis ser Papa: o Cardeal de Alpedrinha

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Nascido Jorge Martins em Alpedrinha, terra das Beiras, era humilde filho do caseiro de uma quinta. Damião de Góis diz da família que seriam "gente muito baixa, popular e pobre", o que parece confirmar-se pelo destino que o rapaz, fugido da terra de origem, veio a conhecer em Santarém: foi guardador de porcos, trabalho decerto honrado, mas tão desprestigiado para um moço nascido em 1406 como nos nossos dias. Seja como for, a sorte de Jorge mudou ao ter maneira - que lhe chegou por via da Igreja, verdadeiro elevador social - de frequentar a universidade, que então se situava em Lisboa. Cumpriu lá a formação que se esperava de um homem da Igreja e foi capelão no Hospício de Santo Estói. Tornou-se reputadíssimo latinista, chegando a confessor de Dom Afonso V. O Rei enviou-o em missão a Paris, que Jorge cumpriu como diplomata e onde aproveitou para prosseguir os estudos.

Homem verdadeiramente notável, de inteligência brilhante e reconhecida, Jorge Martins tornou-se Dom Jorge da Costa ao ser elevado a Bispo de Évora, que foi por um ano após 1463. Foi depois Arcebispo de Lisboa até 1501 e, dali à sua morte, Arcebispo de Braga e, por isso, Primaz das Espanhas. Em 1476, Sisto IV fê-lo cardeal. Em 1483, contudo, Alpedrinha abandonou o Reino para lhe não mais regressar. Incompatibilizado com Dom João II, que sucedera a Dom Afonso V em 1481, o Cardeal Jorge da Costa mudou-se para Roma, de onde nunca deixaria de ir estendendo a sua influência. Ao governo de muito da Igreja portuguesa, que manteve de Roma, foi-lhe adicionado o de numerosas dioceses italianas. Ao longo da carreira, Alpedrinha, como a História o registou, foi Bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta, assim como Arcebispo de Braga e Lisboa. Em 1503, foi eleito Papa pelo Colégio dos Cardeais, mas recusou receber a Tiara papal. Fê-lo Júlio II que, diz-se, recusaria já Papa a vénia do cardeal português por entender que devia ter sido aquele a herdar os destinos da Igreja.

Vindo do nada para tornar-se um dos homens mais influentes da Igreja e da Europa do seu tempo, Dom Jorge da Costa morreu em 1508 aos 102 anos. Se a tivesse desejado, poderia ter sido o segundo filho de Portugal a sentar-se na cadeira de Pedro.

11 de setembro de 2017

Teresa de Calcutá e Diana de Gales, 20 anos depois

Foi no dia 5 de Setembro de 1997 que o mundo foi surpreendido com a morte da Madre Teresa de Calcutá, fundadora das Missionárias da Caridade e prémio Nobel da Paz, que a 26 de Agosto completara 87 anos. Alguns dias antes, mais precisamente no último dia do mês de Agosto desse ano, uma outra notícia chocante, no sentido mais literal e dramático do termo, causou consternação mundial: Diana Spencer, princesa de Gales pelo seu casamento com o herdeiro do trono britânico, morreu em Paris, vítima de um brutal acidente automobilístico.
Há quem diga que, para Deus, não há coincidências. A verdade é que nada faria suspeitar que aquelas duas pessoas tão diferentes, se iriam encontrar em vida e também na hora da morte. Com efeito, não obstante pertencerem a diferentes confissões cristãs, a princesa Diana tinha procurado na Madre Teresa algum apoio. Por sua vez, a santa dos mendigos de Calcutá morreu quando estava, precisamente, a preparar uma cerimónia religiosa em sufrágio da sua amiga Diana, falecida apenas uns dias antes. Não era de esperar esta amizade, mas a fama da benemérita religiosa católica já há muito tinha ultrapassado as fronteiras da sua Igreja, sendo mundialmente reconhecida e respeitada pela sua santidade. Também foi, como é da praxe em relação aos verdadeiros discípulos de Cristo, violentamente criticada, sobretudo pela sua denúncia dos excessos da sociedade consumista e pela sua corajosa defesa do direito à vida dos nascituros.
Diana Frances Spencer, também conhecida por Lady Di, e Agnes Gonxhe Bojaxhiu que, em religião, foi a Madre Teresa de Calcutá, estavam, em termos humanos, nos antípodas: Diana era jovem, elegante, bonita e princesa; Teresa era idosa, pequenina, e – que me desculpem os que, como eu, são devotos da santa – bastante feia. Enquanto Diana vivia entre reis e príncipes, morava em palácios reais, vestia lindamente e usava diademas e outras jóias magníficas, Teresa de Calcutá percorria os bairros de lata, entre os mendigos mais miseráveis, sempre vestida com o seu pobre sari branco debruado a azul, com um único adereço: um pequeno crucifixo ao ombro.
Paradoxo: aquela que tudo tinha para ser feliz, não o era; e, aquela que nada tinha do que muitos entendem indispensável para a felicidade, era felicíssima! Com efeito, a princesa, apesar de todo o glamour e esplendor da sua condição real, era uma pessoa profundamente infeliz, mas a pequenina religiosa, sem quaisquer bens, nem beleza que atraísse, irradiava uma alegria que a ninguém deixava indiferente.
No momento do acidente fatal, dadas também as circunstâncias trágicas em que o mesmo ocorreu – curiosamente, no parisiense túnel d’Alma! – foram inúmeras as manifestações de pesar pela morte da princesa de Gales. Com a morte de Teresa de Calcutá aconteceu outro tanto e, desde então, a sua popularidade só tem aumentado, graças também à sua beatificação em 2003, escassos seis anos depois da sua morte. Treze anos depois, em 2016, Agnes Bojaxhiu foi canonizada, depois de comprovado, científica e teologicamente, mais um milagre atribuído à sua intercessão.
Vinte anos volvidos sobre a tragédia que vitimou a princesa Diana e sobre a santa morte da Madre Teresa de Calcutá, talvez seja hora de fazer o balanço, certamente provisório, destas duas vidas tão diferentes que Deus, mais do que o calendário, juntou no seu derradeiro momento. Talvez seja chegada a altura de reconhecer que os nossos sonhos de poder, riqueza, fama e beleza mais não são do que pesadelos do egoísmo, porque incapazes de encher de felicidade o coração humano. Mas, quantas jovens, se lhes fosse dado escolher ser Diana de Gales ou Teresa de Calcutá, fariam sua esta última opção?! Quantos pais, até católicos, prefeririam uma filha missionária da caridade a uma filha princesa do Reino Unido?!
Talvez a infeliz vida e tristíssima morte de Diana de Gales tenha desmentido, de uma vez por todas, o disparatado conto da menina que, qual gata borralheira, casa com um príncipe e é muito feliz para sempre. Talvez seja chegado o momento de reconhecer, neste vigésimo aniversário da morte de Santa Teresa de Calcutá e da princesa Diana, que a verdadeira felicidade não está na beleza, nem na fama, nem na riqueza, nem na saúde, nem na juventude ou na elegância, mas em amar, mesmo quando se é pobre, velho, sem beleza física e, até, se vive entre os mais pobres dos pobres.
Também pode haver, e é urgente que haja, muitas princesas e rainhas santas, como a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Santa Joana, princesa, bem como ‘primeiras damas’, governantes e deputadas que sejam igualmente virtuosas. O importante não é ter, mas ser; não é brilhar, mas servir; não é procurar a própria felicidade, mas fazer felizes os outros porque, como Jesus Cristo ensinou há dois mil anos, há mais alegria em dar do que em receber (Act 20, 35).
Fonte: Observador

10 de setembro de 2017

SERTÃ – Partilhe este apelo e, se puder, ajude. Bombeiros necessitam de água, alimentação e pomada para queimaduras



A Sertã está a ser fustigado com um incêndio muito violento. Há mais de 24 horas centenas de bombeiros estão a combater as chamas pelo que, nesta altura, são já visíveis sinais evidentes de fadiga, uma situação que só é debelada, de alguma forma, com um mínimo reforço alimentar e de hidratação. Por isso, está a circular um apelo de auxílio aos operacionais que se encontram no terreno, nomeadamente para a entrega de água, sumos com adição de açúcar, bolos, bolachas, frutas, pomadas para queimaduras e feridas (ex. Biafine, Bepanthene (Plus), etc.
O apelo foi feito pelos bombeiros voluntários da Sertã através da Rádio Condestável.
No local estão 816 operacionais, apoiados por 262 veículos e 3 meios aéreos.

Fonte: Rádio Hertz