19 de janeiro de 2018

O País Primeiro!


Portugal Acima de Tudo!
‘As dificuldades que encontramos no nosso caminho não devem ser para nos assustar ou fazer recuar, mas sim para as encarar com firmeza. Com calma, firmeza e boa vontade, e essas qualidades creio que as temos, vencer-se-á esta campanha e se o fizermos, como confiadamente acredito, poderemos então descansar um pouco com a consciência de termos feito alguma coisa útil e de termos bem servido o nosso País.’
– S.M.F. El-Rei Dom Carlos I de Portugal in ‘Cartas D’El Rei D. Carlos I a João Franco Seu Último Presidente do Conselho’

18 de janeiro de 2018

A monarquia e as repúblicas

No seguimento do último postal, e por contraposição, convinha explicitar a natureza da monarquia e já agora a qualidade do seu relacionamento com as repúblicas.

Sabendo que não existem regimes perfeitos, também sabemos que a monarquia surge na história política para solucionar os inconvenientes da república. E os inconvenientes da república têm a ver basicamente com a representação e com tudo o que daí decorre. Nomeadamente a sucessão e a arbitragem.

O problema maior resulta da óbvia incapacidade do chefe republicano para representar a raiz e o vínculo comunitário, que é o mesmo que dizer, o passado o presente e o futuro de determinada comunidade histórica. Os problemas menores, que não são tão menores como isso, são afinal o corolário do problema maior. O presidente eleito há-de puxar aos seus descendentes sanguíneos, favorecendo-os, porque é da natureza humana. E ainda que represente apenas uma parcela do eleitorado há-de favorecer quem o elegeu se não quiser ser apodado de traidor. Também por isto é incapaz de ser árbitro. Qualquer pessoa percebe.

No que toca ao relacionamento com os regimes republicanos, a monarquia por não ser uma religião mas um acto de inteligência, tem outra plasticidade e outro alcance. E pelo facto de assegurar ao chefe de estado, neste caso ao rei, uma representação muito superior a qualquer chefe de estado republicano, coloca-se noutro patamar. Isto também qualquer pessoa percebe.

A título de exemplo recordemos uma célebre cimeira ibero americana e o ‘porque não te calas’ com que o rei de Espanha brindou o presidente da Venezuela! Parafraseando Bonaparte no Egipto, eram dez séculos de monarquia que mandavam calar cinco anos de xavismo. E todos perceberam as razões da autoridade de Juan Carlos. Incluindo o presidente da Venezuela.

No caso português que é o que mais nos interessa lembro a propósito uma frase do rei Dom Carlos – ‘Podemos estar de mal com todo o mundo, menos com a Inglaterra e com o Brasil’! Se Angola fosse nessa altura um estado independente o rei tê-la-ia incluído na excepção. E temos uma certeza: - à semelhança da relação que existe hoje entre a Inglaterra e os Estados Unidos, assim seria a nossa relação com Angola. Onde tudo se resolve, sem domínio ou submissão.


Saudações monárquicas

JSM

Fonte: Interregno

17 de janeiro de 2018

O Cristo mutilado - "Mas sei que em qualquer parte em que lutar, estarei no sagrado chão de Portugal"

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Na Sala do Capítulo do mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha, altar da pátria, alumiado por um lampadário, encontra-se em campa rasa o túmulo do Soldado Desconhecido que exibe a solene inscrição “Portugal eterno nos mares, nos continentes e nas raças, ao seu Soldado Desconhecido morto pela Pátria”. Um profundo silêncio domina aquele espaço guardado em permanência por dois militares. Os restos mortais que ali jazem vieram da Flandres e de África, cenários de guerra em que o Exército Português padeceu sofrimentos e ofereceu o seu sangue naquela terrível guerra cujo centenário se evoca neste ano de 2018.

Sobre o túmulo, um Cristo amputado e enegrecido. É o Cristo das Trincheiras, imagem do Crucificado que os soldados portugueses levantaram altaneiro na frente de guerra e foi, durante dois anos, o companheiro dos terríveis sofrimentos de milhares de homens expostos ao frio, à fome, à lama, à metralha inimiga e à morte. A imagem foi respeitada pelo inimigo alemão até àquela fatídica madrugada de 9 de Abril de 1918, quando o sector português recebeu a brutal investida da ofensiva alemã da primavera, precedida por uma preparação de artilharia que despejou dezenas de milhares de projécteis sobre o Corpo Expedicionário Português.

MCB

16 de janeiro de 2018

O Bom Exemplo do Rei



O poder moderador do Monarca habilita-o a negar poder a quem dele pudesse abusar! É necessário que o exercício do poder deixe de ser equívoco e passe a ser realizado de acordo, não só com o mínimo ético, mas, ainda mais além, que se identifique com a moral. Não se deve separar nem opor Moral e Política, uma vez que o bem-ser regula sempre o bem-fazer. É necessário apagar o hiato que existe actualmente entre eles. Não pode subsistir o Poder pelo Poder, com a frustração da Moral, mas sim unir-se os dois conceitos, para se alcançar o soberano bem da Nação.
Um Rei exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação; a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem. El-Rei Dom Pedro V de Portugal, personificação da virtude de dedicação ao bem da coisa comum, escreveu sobre o papel dos Reis: ‘devemos também lembrar-nos que existe para eles uma lei moral muito mais severa do que para os outros, porque quanto mais elevada é a posição tanto maior é a influência do exemplo.’ De facto, nenhum Rei esquece que Reinar a é uma função que deve ser desempenhada com sentido de missão. O Rei procurará a defesa do bem da coisa comum e dos interesses da Nação, pois encara o posto de Reinar como um ofício e sobretudo um serviço. Ora lembremos o Princípiode Tomás de Kempis segundo o qual “os maus hábitos podem ser eficazmente combatidos por outros que lhes sejam contrários: um costume mau é vencido por um costume bom.”
Assim, com um Rei dedicado à defesa do bem comum no seu posto de honra, zeloso em cumprir os Seus deveres por lealdade à Pátria, isso reflectir-se-á, inevitavelmente, nos demais agentes do Estado que não raras vezes estão muito afastados dos princípios da transparência que se exigem na gestão da coisa pública (res publica). Os Reis sentem que têm deveres, os políticos – a grande maioria – entendem só ser honrados com direitos, pelo que, num regímen de Monarquia, existem níveis mais exigentes de igualdade entre as pessoas e transparência democrática e das instituições políticas.

Miguel Villas-Boas

14 de janeiro de 2018

Lembrando ainda a Grande Guerra - Uma mulher ao serviço do povo

Foto de Nova Portugalidade.

Esta imagem devia estar em todos os hospitais portugueses. É uma grande lição de humildade e serviço. Em plena Grande Guerra, a Rainha Dona Amélia ofereceu-se como voluntária no Hospital Militar Central de Londres para cuidar dos feridos evacuados da Flandres. Organizou leilões e quermesses, doou parte dos seus haveres para equipar hospitais, preocupou-se com a sorte dos soldados do Corpo Expedicionário Português na frente ocidental, sobretudo os grandes mutilados.


13 de janeiro de 2018

OLEIROS – SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança visita Oleiros


O Duque de Bragança, D. Duarte Pio, vai estar de visita ao concelho de Oleiros no próximo dia 27 de Janeiro.

O programa contempla a recepção nos Paços do Concelho pelas 15:30, seguida de uma visita ao quartel dos bombeiros locais. O Chefe da Casa Real Portuguesa visitará o distrito de Castelo Branco nesse fim-de-semana, a convite da Real Associação da Beira Interior.

D. Duarte Pio de Bragança (Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança), chefe da Casa Real Portuguesa, é filho de Dom Duarte Nuno, Duque de Bragança e neto de D. Miguel I, Rei de Portugal, e de Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, a Princesa do Brasil, trisneta do Imperador D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal).


11 de janeiro de 2018

Mouzinho de Albuquerque Morreu Há 116 Anos



Mouzinho de Albuquerque (12 de Novembro de 1855 – 8 de Janeiro de 1902)


A 8 de Janeiro de 1902, há precisamente 116 anos, morreu, em Lisboa, Mouzinho de Albuquerque. Partia um dos derradeiros grandes portugueses perante a consternação geral do País, que chorou a partida do Herói de Chaimite.
Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque nasceu a 12 de Novembro de 1855 na Quinta da Várzea, concelho da Batalha, Leiria. Foi um heróico oficial de cavalaria português do século XIX e uma das mais brilhantes figuras militares portuguesas, que se notabilizaria durante as gloriosas campanhas de África (1894/95), e que ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado, em 1895, enquanto Comandante do esquadrão de Lanceiros n.º 2, a captura do imperador nguni Gungunhana, na terra de Chaimite, e pela condução da ulterior campanha de pacificação das populações locais de Chaimite e de Gaza que afiançariam lealdade à administração colonial portuguesa, no território que viria a constituir o presente Moçambique.
Para o temerário Mouzinho os êxitos militares prosseguem, pois comandou ainda diversas campanhas de afirmação territorial de Portugal em África: Naguema (3 de Março), Mocutumudo (6 de Março ) e Macontene (21 de Julho), todas em 1897.
Em 15 de Dezembro de 1897, Mouzinho de Albuquerque aporta em Lisboa onde é, qual triunfador romano, recebido em apoteose, tendo inclusive direito a uma espécie de desfile triunfal pelas ruas da Capital.
A 28 de Setembro de 1898, o herói Mouzinho de Albuquerque assume funções como oficial às ordens do Rei e é designado ajudante de campo efectivo d’El-Rei Dom Carlos I de Portugal, oficial-mor da Casa Real e nomeado pelo Rei para a mais importante das tarefas, a de aio do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, então com treze anos, para a sua instrução passar a ter mais uma componente militar e a ser uma preparação para reinar. ‘Faz dele um Rei’, disse-lhe Dom Carlos. Ficou célebre a Carta que Mouzinho escreveu então ao Príncipe Real e Duque de Bragança:
Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real (…) Por esse motivo, o primeiro dos meus deveres é fazer de Vossa Alteza um soldado. É Vossa Alteza Príncipe, há-de ser Rei; ora, Príncipe e Rei que não comece por ser soldado, é menos que nada, é um ente híbrido cuja existência se não justifica. (…) Aprenderá a sê-lo na história de seus avós. Este Reino é obra de soldados. Destacou-o da Espanha, conquistou-o palmo a palmo, um príncipe aventureiro que passou a vida com a espada segura entre os dentes, escalando muralhas pela calada da noite, expondo-se à morte a cada momento, tão queimado do sol, tão curtido dos vendavais como o ínfimo dos peões que o seguia. Firmou-lhe a independência o Rei de “Boa Memória” (…)”
Mas as intrigas da Corte não eram o terreno belígero indicado para o temperamento de Mouzinho, que apontara os problemas da política da época e tecia fortes críticas à partidocracia vigente que com o clima de indecisão política agonizava a própria Monarquia. Este ambiente repugnava o próprio Dom Carlos I. A inveja dos áulicos e dos políticos tecem então uma teia de suspeições e maledicências a que o carácter do herói Mouzinho de Albuquerque não foi imune. Atribuíram-lhe as mais vis mentiras e os inuendos, as detracções, as calúnias e as infâmias avolumam-se e acossam o herói contra uma posição para si insustentável, e, impossibilitado de lidar com toda essa insídia, quer pelo seu carácter de homem impoluto quer pela sua própria espartana formação militar, a 8 de Janeiro de 1902, opta pelo suicídio – como os grandes romanos que renunciavam a morrer corrompidos pela lassidão do poder e do sistema, mas faziam desse gesto de oferecer as veias ao pugio o derradeiro de uma honra que não estavam dispostos a perder ou sequer ceder.

Miguel Villas-Boas 

10 de janeiro de 2018

Portugalidade nipónica: segredos das catacumbas

Foto de Nova Portugalidade.


Novas perspectivas se têm aberto ultimamente sobre a vivência da clandestinidade católica no Japão após a expulsão dos missionários oriundos de Macau e consequente fechamento do arquipélago aos contactos com os portugueses. Durante muito tempo pensou-se que após o chamado século cristão, a maioria dos católicos havia abjurado da sua fé e regressado à prática do budismo e do xintoísmo. Porém, nos últimos anos, estudos atentos a subtis vestígios da vida oculta de muitos japoneses residentes nas regiões que haviam conhecido grandes conversões, revelam resultados inesperados. Objectos votivos consagrados a Buda encerravam no seu interior crucifixos, pelo que os altares a Buda existentes em muitos lares eram, afinal, altares cristãos, deusas japonesas, nomeadamente as da fertilidade e do sol substituíam Nossa Senhora e bolos de arroz - comuns na gastronomia japonesa - eram marcados com uma cruz, pelo que, ao comê-los em família - talvez na presença de um sacerdote católico nativo - se realizava a eucaristia.

Há cerca de cinco anos, por mera casualidade, um coleccionador de lâminas japonesas mandou restaurar algumas das peças que pediam intervenção. Para seu espanto, ao serem retirados e abertos os punhos, verificou-se que continham crucifixos. Estas armas pertenciam à elite guerreira samurai, o grupo social dominante que manteve as rédeas do poder até ao fim do período Tokugawa, sendo que o mais surpreendente foi verificar que algumas das armas haviam sido fabricadas nos séculos XVII e XVIII, ou seja, após a proibição da religião dos portugueses.

MCB