17 de agosto de 2017

A construção histórica do Brasil

Foto de Nova Portugalidade.


SAR, o Senhor Dom Duarte de Bragança, concedeu uma extensa entrevista a um prestigioso instituto brasileiro de reflexão política. Destina-se esta entrevista a um longo documentário que versará temas nodais da história da nação-irmã. Na deslocação a São Pedro de Sintra, residência do Chefe da Casa Real Portuguesa, a equipa brasileira foi acompanhada por responsáveis da Nova Portugalidade. Seguidamente, na soberba esplanada do Paço de Sintra, Rafael Pinto Borges, da NP, explanou longamente sobre a identidade luso-brasileira.


Foto de Nova Portugalidade.


Foto de Nova Portugalidade.


Foto de Nova Portugalidade.


16 de agosto de 2017

Uma fotografia republicana

A república portuguesa tal como a francesa ou a russa, para não ir mais longe, assentam no crime. Todas elas assassinaram o rei, um rei inocente, eleito pela história e pela tradição. A partir daí e para esconderem esse pecado original começaram a mentir. Começou a propaganda. Diga-se em abono da verdade e para sermos justos que dos três países visados, nem todos mentiram (ou mentem) da mesma maneira.

Enquanto a Rússia já pediu desculpa pelo acto e canonizou a família real martirizada pelos bolcheviques, a França prossegue impune na sua propaganda e celebra todos os anos, com pompa e circunstância, a data que simboliza a guerra civil e o crime. Portugal neste aspecto fica-se pelo ‘nim’! Nem assume o crime nem pede desculpa! Disfarça! E por conseguinte mente a dobrar! A provar o que afirmo basta tirar uma selfie ao país que temos hoje:

O governo é uma mentira, quem escolheu o primeiro-ministro foi o parlamento contrariando a vontade expressa nas urnas pelos portugueses. É constitucional?! É porque a constituição é também ela uma mentira, vai a caminho do socialismo… quando lhe convém.

O presidente da república se não é uma mentira é a quadratura do círculo! Filho de um ministro da ditadura, e afilhado do último primeiro-ministro da mesma, não lhe fica bem dizer mal da ditadura onde medrou nem da família que o educou. Mas disse.

A assembleia da república é uma Câmara Corporativa onde têm assento predominante os representantes do funcionalismo público. As chamadas profissões liberais, estão organizadas em matilhas, e trabalham para o estado que lhes encomenda tudo, incluindo as leis.
A actividade privada em Portugal é um mistério sendo difícil encontrar alguém que sobreviva sem uma ligação pecuniária ao mesmo estado.

Os tribunais normalmente não funcionam e quando funcionam é para protegerem a nomenclatura republicana.

Finalmente a população, o povo, atendendo ao que foi dito no capítulo da actividade privada, continua a viver como dantes: - ou emigra ou fica por cá, dependente, sem correr riscos, e com a única ambição de ser funcionário público. Se possível nascer já com um vínculo ao estado. Nesta perspectiva podemos dizer que é monárquico por natureza!

Não termino sem uma palavrinha sobre o futebol, fundamental para a propaganda do regime, e para dizer que está práticamente nacionalizado. Os clubes estão em falência técnica e só não acabam porque os bancos entretanto nacionalizados não deixam.

Há aí alguém que não esteja na fotografia?! Respostas a este apartado.


Saudações monárquicas

JSM

Fonte: Interregno

15 de agosto de 2017

Assunção da Virgem Maria

Imagem relacionada


Hoje, solenemente, celebramos o facto ocorrido na vida de Maria de Nazaré, proclamado como dogma de fé, ou seja, uma verdade doutrinal, pois tem tudo a ver com o mistério da nossa salvação. Assim definiu pelo Papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”
Antes, esta celebração, tanto para a Igreja do Oriente como para o Ocidente, chamava-se “Dormição”, porque foi sonho de amor. Até que se chegou ao de “Assunção de Nossa Senhora ao Céu”, isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.
Maria contava com 50 anos quando Jesus subiu ao Céu. Tinha sofrido muito: as dúvidas do seu esposo, o abandono e pobreza de Belém, o desterro do Egipto, a perda prematura do Filho, a separação no princípio do ministério público de Jesus, o ódio e perseguição das autoridades, a Paixão, o Calvário, a morte do Filho e, embora tanto sofrimento, São Bernardo e São Francisco de Sales é quem nos aponta o amor pelo Filho que havia partido como motivo de sua morte.
É probabilíssima, e hoje bastante comum, a crença de a Santíssima Virgem ter morrido antes que se realizasse a dispersão dos Apóstolos e a perseguição de Herodes Agripa, no ano 42 ou 44. Teria então uns 60 anos de idade. A tradição antiga, tanto escrita como arqueológica, localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu Filho celebrara os mistérios da Eucaristia e, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os Apóstolos.
Esta a fé universal na Igreja desde tempos remotíssimos. A Virgem Maria ressuscitou, como Jesus, pois sua alma imortal uniu-se ao corpo antes da corrupção tocar naquela carne virginal, que nunca tinha experimentado o pecado. Ressuscitou, mas não ficou na terra e sim imediatamente foi levantada ou tomada pelos anjos e colocada no palácio real da glória. Não subiu ao Céu, como fez Jesus, com a sua própria virtude e poder, mas foi erguida por graça e privilégio, que Deus lhe concedeu como a Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, como a Mãe de Deus.
Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

14 de agosto de 2017

Batalha de Aljubarrota – 14 de Agosto de 1385

Aljubarrota


Falecido D. Fernando I de Portugal, iniciou-se a Crise de 1383-85, pois os filhos varões do Rei, com D. Leonor Telles de Menezes, haviam morrido; e D. Beatriz (1372 – 1410), Infanta de Portugal, havia casado com D. João I, Rei de Castela, pelo que, sob pena de anexação de Portugal pelo Reino de Leão e Castela, a fidalguia portuguesa pretendia mantê-la afastada da sucessão. E era fortíssima a ameaça da união – que soava a integração – de Portugal com Castela e Leão, resultado do Tratado de Salvaterra de Magos, de 1383. Também, a burguesia mostrava-se desagradada com a regência da Rainha D. Leonor Telles e do seu amante, o Conde D’Andeiro e com a ordem da sucessão.

Estava por essa altura o país fragmentado em três facções que reclamavam a legitimidade à sucessão:
De um lado estava o partido legitimista, fiel a Castela, que defendia a causa da Infanta D. Beatriz, mulher do rei de Castela, a quem consideravam a única herdeira legítima do Rei de cujus, e entendiam vigorar plenamente o Tratado de Salvaterra de Magos, uma escritura antenupcial que defendia, a união dos dois reinos ibéricos, e ainda a regência da Rainha-viúva D. Leonor Telles, consorte do rei decesso.

Outro partido era o legitimista-nacionalista, a quem repugnava a ideia da perda da independência nacional – o que excluía D. Beatriz – e que era constituído pelos irmãos de D. Inês de Castro, D. Álvaro Pires de Castro e D. Fernando de Castro, e que defendiam a legitimidade da pretensão dos seus sobrinhos, o Infante D. João e o Infante D. Diniz, filhos do Rei D. Pedro I e D. Inês, e que portanto eram meios-irmãos do finado el-rei D. Fernando, e que o rei Cru, havia legitimado por casamento clandestino.

O terceiro partido, estritamente nacionalista, pugnava por um Rei português e colocava a supremacia e independência nacional acima de qualquer legitimidade, o que excluía a Infanta D. Beatriz, rainha de Castela e os filhos de D. Inês de Castro que viviam em Castela e, inclusive, já haviam combatido por esse Reino. Para estes últimos partidários, nos quais se incluíam o fervoroso D. Nuno Álvares Pereira, não restava então outra solução do que esquecer as habituais regras de sucessão e considerar o trono vago, como forma de salvaguardar a soberania nacional, elegendo como Rex Portucalensis D. João, Mestre de Avis, ainda que filho bastardo de D. Pedro.

O exercício de retórica para convencer a elite de Portugal congregada nos Três Estados, reunidos nas Cortes em Coimbra, a 06 de Abril de 1385, coube a João das Regras, que demonstrou que quer D. Beatriz quer os Infantes não eram filhos legítimos, a primeira porque o casamento entre D. Fernando e D. Leonor Telles de Menezes era inválido uma vez que o 1.º casamento da rainha não havia sido dissolvido legalmente, e que quanto ao filhos de Pedro e Inês o rei e os seus cortesãos havia prestado falsas declarações no que ao concerne ao casamento secreto de D. Pedro e D. Inês, embuste com a qual pretendeu legitimar os filhos. Todos os ali reunidos renderam-se ao exercício de oratória empolada de João das Regras e D. João foi eleito e Aclamado Rei pelas Cortes. Rei de Portugal, não por “direito próprio”, mas por eleição unânime e instado pelos Três Estados o que de acordo pela Lei medieval correspondia a um sinal da vontade Divina. D. João I consolidou definitivamente a sua posição e a de Portugal ao ser proclamado Rei de Portugal pelas Cortes reunidas em Coimbra.

Apesar das sucessivas derrotas militares, como em Lisboa e nos Atoleiros, o rei D. João I de Castela não desistira da coroa de Portugal, que entendia advir-lhe ius uxoris pelo casamento e opondo-se a tal resolução, responde invadindo Portugal, pela Beira-Alta, em Junho de 1385, e desta vez à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um forte contingente de cavalaria francesa. Quando as notícias da invasão chegaram, João I encontrava-se em Tomar na companhia de D. Nuno Álvares Pereira, o condestável do reino, e do seu exército, e mais uma vez, o chicote de Portugal, D. Nuno Álvares Pereira resolve tomar rédeas à situação e sitia as cidades que entretanto se converteram fiéis a Castela. Avança e a decisão tomada foi a de enfrentar os castelhanos antes que pudessem levantar novo cerco a Lisboa. Com os aliados ingleses, o exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha e a 14 de Agosto de 1385 tem a oportunidade de exibir toda a sua mestria e génio militar em Batalha.

A opção para a Batalha recaiu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, no Campo de São Jorge, Calvaria de Cima, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre Leiria e Alcobaça. Contudo o exército Português não se apresentou ao Castelhano nesse sítio, inicialmente formou as suas linhas noutra vertente da colina, tendo depois, já em presença das hostes castelhanas mudado para o sítio predefinido, isto provocou bastante confusão nas tropas de Castela. Assim pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército português e os aliados ingleses comandados por El-Rei de Portugal D. João I e o Condestável do Reino tomaram a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde o exército castelhano e seus aliados franceses liderados por D. Juan I de Castela e Leão, eram esperados.

A disposição portuguesa era a seguinte: infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria. Na retaguarda, aguardavam os reforços e a cavalaria comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina. A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o Rei de Castela tomou a esperada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30.000 soldados que constituíam o seu efectivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. A vertente sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que, como D. Nuno Álvares previra, pretendiam atacar. O exército português inverteu então a sua disposição e dirigiu-se à vertente sul da colina, onde o terreno tinha sido preparado previamente. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final muito antes do exército castelhano se ter posicionado. D. Nuno Álvares Pereira havia ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e outras defesas em frente à linha de infantaria, protegendo esta e os besteiros. Este tipo de táctica defensiva, muito típica das legiões romanas, ressurgia na Europa nessa altura. Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente instalados decidem, precipitadamente, ou temendo ter de combater de noite, começar o ataque. É discutível se de facto houve a tão famosa táctica do “quadrado” ou se simplesmente esta é uma visão imaginativa de Fernão Lopes de umas alas reforçadas. No entanto tradicionalmente foi assim que a Batalha acabou por seguir para a história. O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. A pequena largura do campo de batalha, que dificultava a manobra da cavalaria, as paliçadas (feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas pela distancia necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem de cavalos) e a chuva de virotes lançada pelos besteiros (auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses) fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrar desorganizada e confusa. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo. Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses. Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou entraram em confronto com a infantaria portuguesa: “Castyla! Sant’iago!” ao que os portugueses replicaram bradando “Portugal! São Jorge!”. A linha castelhana era bastante extensa, pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direcção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se (o que desorganizou as suas fileiras) de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses predispuseram as suas forças dividindo a vanguarda de D. Nuno em dois sectores, de modo a enfrentar a nova ameaça e onde se destacou com especial bravura a famosa Ala dos Namorados.

Mas, vendo que o pior da investida castelhana ainda estava para chegar, o Rei de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente. Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer.

Ao entardecer a batalha estava já perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou uma retirada geral sem organizar uma cobertura. Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se então em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade. Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo. Surge aqui um mito português em torno da batalha: uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a Padeira de Aljubarrota, iludiu, emboscou e matou, pelas próprias mãos, alguns castelhanos em fuga. A história é por certo uma lenda da época! De qualquer forma, pouco depois, D. Nuno Álvares Pereira ordenou a suspensão da perseguição e deu trégua às tropas fugitivas. Ao amanhecer do dia seguinte, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina e o barulho ensurdecedor do crocitar dos corvos contribuía para o cenário de terror. Para além de soldados de infantaria, morreram também muitos nobres castelhanos, o que causou luto em Castela.

A Batalha de Aljubarrota representa uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal. No campo militar significou a inovação de uma táctica, onde os homens de armas apeados foram capazes de vencer a poderosa cavalaria medieval. No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até aos dias de hoje, pois no ano seguinte foi assinado o Tratado de Windsor, aliança consolidada em 1387 pelo casamento de D. João I com a Princesa Inglesa Dona Filipa de Lencastre (Lady Phillippa of Lancaster), filha de John Gant, Duque de Lancaster, e neta do então monarca inglês Eduardo III, de cujo consórcio matrimonial nasceria a Ínclita Geração. No aspecto político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Leão e Castela, permitindo a afirmação de Portugal como Reino Independente.



Miguel Villas-Boas

13 de agosto de 2017

O comunismo e o sarampo

O comunismo tem todas as características das doenças: tem sintomas específicos, provoca reacções alérgicas, costuma ser incurável, é geneticamente transmissível e terrivelmente mortal.

A saúde é um estado precário que não pressagia nada de bom, porque se perde quando se adoece. O que seja uma doença não é fácil dizer e, por isso, a comunidade científica não é unânime sobre este particular. Alguns comportamentos, como ser canhoto, foram tidos por anormais e depois deixaram de o ser; houve doenças que, entretanto, se extinguiram, como parece ser o caso da peste bubónica; e outras patologias só foram diagnosticadas a finais do século XX, como a síndrome de Asperger.
Sem querer meter a foice (e nunca melhor dito!) em seara alheia, temo que o comunismo possa ser em breve reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como doença. Em plena silly season, a proposta pode parecer disparatada, mas a verdade é que o comunismo reúne todas as condições das maleitas: tem sintomas específicos, provoca reacções alérgicas, costuma ser incurável, é geneticamente transmissível e terrivelmente mortal.
Ao nível dos sintomas epidérmicos, esta grave deficiência parece-se muito ao sarampo: os que a padecem ficam também, como se costuma dizer, vermelhos!
Provoca, em geral, uma reacção alérgica às religiões, mórbidas expressões da alienação popular (afinal, que é uma beata senão uma toxicodependente do ‘ópio do povo’?!). Este doentio efeito só se consegue eliminar pela proibição das crenças, como acontece na Coreia do Norte e na China, onde os fiéis são perseguidos e exterminados.
Outra alergia provocada por esta nova doença é a homofobia, como se prova pela história e prática do Partido Comunista Português: alguns militantes foram, por este motivo, expulsos do partido e aos gays não foi, por esta sua condição, permitida a adesão ao partido. Como escreveu Paulo Gaião, “estão por estudar a fundo as circunstâncias da expulsão de Júlio Fogaça, que era homossexual, do PCP, onde se podem ter misturado questões políticas com questões homofóbicas. Também está por perceber a razão de o PCP lidar ainda hoje com visível incómodo com o tema da homossexualidade” (Expresso, 21-1-2013). Não se creia que é coisa ultrapassada porque muito recentemente o PCP, quando a Assembleia da República aprovou um voto de condenação pelas perseguições aos homossexuais na Chechénia, absteve-se (Expresso, 21-4-2017).
Por sinal, já em 2015, este semanário noticiou o que quase toda a imprensa muito pudicamente silenciou: dois homossexuais, em plena festa do Avante, foram enxovalhados, sovados e exemplarmente expulsos, à boa maneira estalinista. Assim sendo, ainda bem que, como reza a publicidade, não há outra festa como esta! Curiosamente, não consta que nenhuma organização de defesa dos direitos destas minorias se tenha manifestado na Atalaia, ou frente à sede do PCP…
Claro que, se o caso tivesse ocorrido numa instituição católica, numa procissão ou romaria religiosa, teria dado brado na imprensa, sempre tão atenta a tudo o que possa servir como arma de arremesso contra a Igreja. Mas, como foi no ‘solo sagrado’ do PCP – para usar a expressão de Henrique Raposo, um dos poucos cronistas que teve a coragem de condenar o incidente – tudo ficou no silêncio dos deuses.
Na sua forma mais virulenta, esta doença é incurável. Enquanto a miopia e outras enfermidades tendem a ser menos agressivas com a idade, o quadro clínico dos comunistas não melhora com o passar do tempo. Um caso público e que, por isso, pode ser referido sem quebra do princípio deontológico da confidencialidade médica, é o de Jerónimo, o grande chefe dos pele-vermelhas-que-o-não-são-por-causa-do-sarampo: não obstante a sua provecta idade, não dá sinais de regressão da doença que, há longos anos, padece horrivelmente.
Segundo estudos científicos acima de qualquer suspeita, é muito provável que se trate de uma doença geneticamente transmissível: tenha-se em conta a tão ‘queriducha’ dinastia Kim, na Coreia do Norte, que já vai na terceira gloriosa geração de queridos líderes e que é uma autêntica democracia, segundo um paciente que, depois de vários anos na Assembleia da República, está agora internado na Câmara Municipal de Loures. Também as manas bloquistas, rebentos de um extremoso pai revolucionário, corroboram, a nível nacional, que o comunismo é geneticamente transmissível. Mas a violência persecutória e repressiva de uma encarniçada deputada socialista permite supor que, também por outras causas, se pode verificar a mesma grave intolerância à liberdade de pensamento e de expressão.
O comunismo é uma doença terrivelmente letal. Segundo estatísticas a homologar pela OMS, já ‘limpou o sarampo’ a cem milhões de vítimas: é o cancro da democracia, a peste negra da modernidade! Mata à fome, à bala e por suicídio induzido, profilaxia aplicada, com êxito, aos dissidentes e até a muitos camaradas de Lenine e Estaline. Outros foram desterrados para a Sibéria, cujas baixas temperaturas são muito saudáveis, segundo o salutar princípio de que o frio, siberiano ou frigorífico, conserva.
O candidato do PSD à autarquia de Loures é racista e não tem perdão, mas os comunistas são inimputáveis: nunca têm culpa porque, afinal, são doentinhos. Esperemos que, os seus correligionários, deles não tenham, por via da eutanásia, uma compaixão assassina. E que, pela nossa rica saúde, não sejam nunca poder, em cujo caso o nosso sofrimento seria verdadeiramente terminal.
Moral desta história imoral: a razão pela qual políticos, médicos e psicólogos são insultados nas redes sociais, acossados pela imprensa e perseguidos pelas suas ordens profissionais, não são as suas declarações, mesmo quando são polémicas. A razão é outra: não são de esquerda e, por isso, não têm direito à impunidade, que é exclusiva da geringonça. Em Portugal, a liberdade de pensamento e de expressão é de facto um elixir a que só comunistas, bloquistas e socialistas mais vermelhuscos têm direito. Por razão, precisamente, desta doença. Antes o sarampo…
Fonte: Observador

12 de agosto de 2017

Em tempo de tensão internacional, precisamos mais que nunca da Portugalidade como intermediária do diálogo intercivilizacional

Foto de Nova Portugalidade.


A ordem internacional caminha rapidamente, tudo o indica, para o multipolarismo e até mesmo para um novo realinhamento em blocos. País atlântico, partilhando a língua e a memória histórica com um grande Estado em ascensão (Brasil), com a nascente potência angolana e até com o mais recente Estado asiático (Timor-Leste), à portugalidade poderá caber um papel na intermediação de conflitos, tensões e incompreensões que certamente adensarão as relações entre o Ocidente e as outras civilizações.

Se há uma universalidade possível, uma consciência que é apanágio do tempo presente – um homem que se diz civilizado não o pode ser se não aceitar o direito à participação e escolha dos homens, sem distinção de sexo, etnia e grupo social no governo da sua sociedade; como também não pode ser civilizado se não repudiar a escravidão, a tortura e a opressão dos fracos – essa terá de ser entendida apenas no pressuposto da permeabilidade das diversas matrizes à assunção da única gramática comum, aliás contida em todas as expressões do sagrado, dos textos sapienciais às religiões reveladas, das cosmogonias primitivas às filosofias. O não matar em vão e o não roubar são culturemas universalmente partilhados pela espécie humana que antecedem em milénios as solenes racionalizações do século XVIII.

A tentação de ver democracias e mercado espalhados pelo orbe, ao invés de permitir a criação de uma comunidade dos homens, mais importante do que a comunidade internacional dos Estados, pode provocar o caos e uma perigosa resposta a esse cruzadismo nascido em alguns think tanks do hemisfério norte. Forçar civilizações e culturas para as quais a democracia de feição ocidental, de ethos individualista, é sinónimo de destruição da comunidade, da hierarquia, da disciplina e de outras expressões do estatismo orgânico em que sempre viveram, pode redundar, não no triunfo da democracia, mas no triunfo de tiranias reactivas de magnitude por ora incalculável. Para o concerto entre as nações e o apaziguamento de vontades de imposição e aculturação violenta pode e deve a Portugalidade concorrer.

Miguel Castelo-Branco

11 de agosto de 2017

ABRANTES – Apelo da Associação Humanitária dos Bombeiros. Ajude quem está a combater o incêndio. Sumos, águas e bolachas são bem-vindos



O apelo é difundido pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários: o incêndio que está a assolar o concelho de Abrantes já dura há quase vinte e quatro horas pelo que poderá ser necessário o auxílio ao nível de águas e de alimentos às centenas de soldados da paz que estão no terreno. Quem puder ajudar, poderá entregar água, sumos, barras energéticas e outros alimentos calóricos no quartel abrantino ou ainda na estrutura da sua área de residência.


Fonte: Rádio Hertz

10 de agosto de 2017

APONTAMENTO RÁPIDO SOBRE FOGOS



“O Mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam 
mas também àqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram”.
                                                             Tucídides (460 – 396 AC).


Relembremos: só há fogo se houver uma conjunção de três coisas, conhecidas pelo “triângulo do fogo”, a saber: um comburente, uma matéria combustível e uma fonte de ignição (ou calor).[1]
    Presumo que, por esta altura, autoridades politicas, policiais, bombeiros, até mesmo juízes, etc., já tenham noção disto.
    Ora o oxigénio (que actua como comburente) é um elemento contra o qual não se deve actuar; o combustível (neste caso a floresta, as casas, as pessoas, etc.) é justamente, o que se quer preservar e a acção que gera a ignição é o que se quer evitar.
    Desta equação simples de enunciar, mas complexa de resolver (embora também não convenha complica-la) se deve partir para a resolução do problema.
    Ora a conjugação simultânea das três variáveis do dito triângulo é extremamente difícil de ocorrer naturalmente (experimentem colocar umas folhas secas na varanda cobertas com um fundo de garrafa, ou uma lente, e esperem por uma ignição espontânea, para terem uma ideia da coisa) restando, deste modo, a mão humana para originar as catástrofes que nos causticam e castigam desde sempre, mas com especial fervor nas últimas quatro décadas!
    Dado que precisamos todos – animais e plantas – do oxigénio para a vida, convém preservá-lo a não ser quando, pontualmente, o suprimimos em espaço e tempo confinados, num ataque químico a um fogo, resta-nos actuar sobre a matéria combustível e as possíveis acções que geram a ignição.
    Para o “combustível” é apropriada a prevenção; para a ignição é conveniente o ataque apropriado e à bruta.
    Expliquemo-nos.
    Na questão da prevenção têm sido apontadas “paletes” de acções e soluções, por um conjunto alargado de especialistas. Mas como este âmbito custa dinheiro, trabalho pouco visível, nenhumas honrarias, ou oportunidades de negócio (e não rende votos), não tem havido a menor vontade política em as pôr em prática.
    Entre elas estão a repovoação do interior do País (esperemos que não com migrantes…); a escolha adequada das espécies vegetais a plantar; a limpeza da floresta; a construção de aceiros e áreas de segurança; vigilância q.b., leis apropriadas, etc..
    Pouco se tem feito neste âmbito o que, convenhamos, é de suspeitar…
    Finalmente existe a questão da ignição.
Ora já vimos que a ignição é difícil em termos naturais – e que dizer dos fogos durante a noite? - pelo que, para a sua origem, resta a mãozinha humana.[2]Mesmo tendo em conta a pressurosa ajuda do Director da Polícia Judiciária…
    Estas causas podem ser englobadas em dois âmbitos: no do descuido, descaso ou acidente – como é o caso de erros nas queimadas, negligência social quanto a beatas e fogueiras, etc. - e em motivação dolosa.
    A alienação mental tem sido o bode expiatório para desculpar uns e outros…
    Ora tem de haver maneira de detectar e prender os autores que estão na origem dos incêndios e julgá-los munidos de um “edifício” legal adequado e duro. Muito duro.
    A razão é simples: enquanto não se cortar a mão ao incendiário (e à mão que eventualmente esteja por detrás) o problema – que tem consequências catastróficas – não se resolve, mesmo fazendo a melhor prevenção do mundo![3]
    É preciso pois, investigar (até preventivamente) todas as pessoas/entidades a quem possa interessar esta calamidade pública, que não deixa de ser também uma forma de terrorismo.
    É que mesmo tendo fechado o hospital Júlio de Matos, não deve haver assim tantos malucos à solta…
    Resta a questão do ataque aos fogos.
    Dizem que há poucos meios; diria que talvez haja até demais. E estou convicto de que quanto mais dinheiro o Governo prometa que vai verter neste poço sem fundo, mais incêndios vai haver…
    Creio até que seria melhor pensar na adequação dos meios e nas entidades que os operam e refundar de alto abaixo o Serviço Nacional de Protecção Civil e seus componentes.
    Verão que ainda poupam meios, gastam menos e obtêm melhores resultados, embora seguramente, se tenha que deixar de fora alguns negócios para os amigos e se percam muitos lugares para a rapaziada dos Partidos…
    E, bem entendido, é necessário parar o massacre que a comunicação social, sobretudo as televisões, faz sobre este drama e restante acção deletéria.
    No fundo toda a gente opina, grita, discute – normalmente à frente de uma boa refeição, ou no intervalo da praia – mas quem verdadeiramente tem que decidir sobre estes assuntos e estabelecer uma estratégia com cabeça tronco e membros e continuada no tempo, aos costumes diz nada.
    A não ser palavras de circunstância repetidas ano após ano.
   Não há autoridade para nada e estão, ao que parece, democraticamente inibidos.
    O que será que os inibe?
    Porque se rendem à magnitude da tarefa?
    Porque não querem mexer em interesses instalados?
    Porque depois da Ministra Constança ter informado que já contabilizara 7795 (!) fogos desde o início do ano, isso ainda não lhes parece suficiente?
    Será que depois de ano após ano se prenderem cada vez mais incendiários (o que lhes acontece?), a PJ e a PGR serão tão incompetentes que nunca conseguiram estabelecer elos de relação causa/efeito?
    Até o Presidente da República – esse novo bombeiro voluntário dos afectos para todo o tipo de fogos - não encontrou nada melhor para afirmar, na visita que fez a Mação, do que “em ditadura lembro-me há 50 anos, era possível haver tragédias e nunca ninguém percebia bem quais eram os contornos das tragédias porque não havia um MP autónomo, juízes independentes e comunicação social livre. Em Democracia há tudo isto”.
    Ou seja agora, felizmente sabe-se tudo e percebe-se tudo. Como se tem visto.
    Vão ver que a culpa dos 64 mortos (?) de Pedrógão Grande ainda vai ser atribuída ao Professor Salazar.


                         João José Brandão Ferreira
                               Oficial Piloto Aviador


[1] Recorda-se que combustível é tudo o que é susceptível de entrar em combustão; comburente, é todo o elemento que associado quimicamente ao combustível o faz entrar em combustão; calor é a temperatura de ignição (a temperatura acima da qual um combustível pode queimar).
[2] Não estamos a falar de excepções como são o enxofre e os metais alcalinos (ex. o potássio, o cálcio, o magnésio, etc.) que se inflamam directamente no estado sólido…
[3] Estivemos há pouco num país do Magreb, onde como se sabe, faz um calor dos diabos. Neste país existem extensas zonas de floresta em zonas montanhosas de difícil acesso. Não me parece que a prevenção seja grande coisa; há lixo por todo o lado; a população é socialmente bastante mais indisciplinada do que a nossa (e também fuma e faz picnics) e os meios de combate a incêndios são seguramente mais fracos que os nossos. Não há fogos? Há, mas consegui percorrer centenas de quilómetros e não me lembro de ter visto nenhuma área ardida.


Fonte: Adamastor

8 de agosto de 2017

Compreender Dom Sebastião e Alcácer-Quibir

Foto de Nova Portugalidade.



De todos os chefes portugueses, nenhum terá sido mais vilipendiado, mais brutalizado pela História ou mais incompreendido que Dom Sebastião. "Desejado" pela massa da população, o último monarca da casa de Avis não foi menos acusado; denigre-se-lhe o julgamento, ataca-se-lhe a idade, ridiculariza-se-lhe como "obsessiva" a vontade de ir colher prestígio marcial a Marrocos. O rei, arrasado na honra por lenda negra de criação recente, confunde-se para a maioria com o "atrasado mental" e o "pedaço de asno" que lhe desenha António Sérgio: jovem, estúpido, débil físico e mental, o arrogante monarca teria embarcado em delirante cruzada africana para nela perder a liberdade nacional; o holocausto da pátria nas mãos daquele rei-menino ofereceriam, continua o mito, prova segura dos perigos da monarquia e da concentração de poder. Trata-se, pois bem, de imbecil mentira política sem coisa que a prove ou evidência que a sugira: o rei não foi criança irracional, mas estratego avisado e sagaz, atento ao mundo e ferreamente consciente do interesse prático, geopoliticamente ditado e interpretado, da nação portuguesa. A cruzada africana foi lógica, fazia sentido, respondeu e correspondeu a uma urgência nacional. É, também, sabido que falhou clamorosamente - o facto em nada fere o argumento geral de que a operação era estrategicamente necessária, por muito que tenha sido tacticamente mal conduzida e acabado, como sabemos, por redundar em rotundo fracasso.

Integremo-nos no contexto português da época. Após longa regência, conduzida a tempos por Dona Catarina de Áustria, avó de Dom Sebastião, e a outros pelo seu tio-avô, o Cardeal Dom Henrique, achava-se maculado o nome de Portugal. Crescera a influência espanhola, de que Dona Catarina era agente fiel; em Marrocos, enfraquecera-se perigosamente a posição portuguesa com a política de retirada estratégica promovida por Dom João III. A Espanha, monarquia aliada com que Portugal partilhava a península, as rotas marítimas e os interesses comerciais, entrara em acelerado declínio no primeiro ano de governo de Dom Sebastião, 1568, devido à revolta das suas província holandesas. À medida que foram crescendo as aflições da coroa castelhana, mais onerosa se foi fazendo a nossa aliança com ela; maiores, mais pesadas e mais problemáticas de satisfazer foram, também, ficando as exigências de Filipe II. Em nome da unidade católica, pediu o Escorial a Dom Sebastião que encerrasse os portos portugueses aos protestantes da Holanda. Requereu-se ainda de Portugal que controlasse o tráfico de ouro da América espanhola - calcula-se que acabava cá um terço do metal precioso lá extraído - para Lisboa. Eram pedidos que Portugal não podia, sem perigar interesses seus, acolher. Como surgia claro aos decisores portugueses, o envolvimento crescente de Castela nos negócios lusos denunciava inquietação que o poderio espanhol já não tinha como aquietar ou esconder; o jovem Sebastião viu na agressividade do gigante acossado manifestação clara do desequilíbrio que se gerara entre Portugal e Espanha. A segunda, mais forte que o primeiro, mas ferida e em grave crise, procurava impor-se-lhe de modo intolerável. Toda a política diplomática de Dom Sebastião partiu desse diagnóstico: por um lado, de que a aliança luso-espanhola era do nosso interesse e vantajosa para o mundo católico; por outro, de que a desproporção de forças entre a Espanha hegemónica e Portugal nos era danosa e abria espaço a excessos que Lisboa não poderia tolerar de Madrid.

O diagnóstico de Dom Sebastião era, quanto a nós, certeiro. Em causa não está, da parte do autor destas linhas ou do Rei Desejado, qualquer má-vontade ante a Espanha. Na sua formação psicológica e natural desejo de fazer, ultrapassar, marcar a História, Dom Sebastião terá tido na pessoa do Rei-Imperador Carlos I & V, seu avô espanhol, objecto primeiro de inspiração. O seu apego à aliança espanhola era sentimental e racional. O autor segue Dom Sebastião na compreensão e defesa dessa política de amizade, e estima-a ponto essencial da política externa portuguesa de todas as eras - incluindo, naturalmente, a actual. Dom Sebastião não se distanciava da avó Dona Catarina na proposição dessa política, que de tão clara vantagem era para Portugal que em nenhum sector causava apreensão. Em causa estava, sim, a recalibração da relação, que só poderia voltar a ser plenamente útil a Portugal - salvaguardando-lhe a colaboração espanhola sem comprometer a liberdade de acção de Lisboa - se fosse reequilibrada: isto é, se pudesse Portugal ganhar frente a Madrid músculo que não demonstrara em décadas anteriores.

Portugal propôs-se reestabelecer o equilíbrio ibérico, que se perdera para dar lugar a situação que o Professor Borges de Macedo classifica de "cerco", através de dois tipos de medidas. Umas, diplomáticas, procuraram compensar a ligação a Espanha - que a avó de Dom Sebastião, Dona Catarina, queria fortalecer pelo casamento entre o neto e uma filha de Filipe II - com o matrimónio do Rei com uma princesa austríaca ou francesa. A primeira tentativa, que faria de Ana de Áustria rainha de Portugal, gorou-se ao substituir-se a Sebastião na união o seu tio Filipe de Espanha. O episódio, como parecerá natural, desagradou grandemente à corte de Lisboa, e fez por envenenar mais ainda as relações entre os dois poderosos impérios ibéricos. Seguiu-se nas preferências de Lisboa uma princesa francesa, Margarida de Valois. O interesse português em Margarida, irmã de Carlos IX de França, consubstanciava uma inovadora tentativa de aliança com a França, agora tida como alternativa à aliança com a Inglaterra protestante. Embora tenha vindo a falhar, o projecto oferece, se entendido na lógica diplomática a que evidentemente obedeceu, prova de um programa político claro e bem pensado. Nenhum destes passos, todos profundamente lógicos e submetidos a um só objectivo - a busca de aliados fora da península - corrobora a imagem tradicional de um monarca irracional, confuso ou politicamente incapaz.

O segundo leque de medidas implementadas por Dom Sebastião foi de carácter militar e concentrou-se, como sabemos, em Marrocos. Tratá-lo-emos a fundo na segunda parte deste estudo.

RPB